UEFA ameaça boicotar Copa do Mundo contra plano da FIFA de vender participação
UEFA e Concacaf ameaçam boicotar a Copa do Mundo contra plano da FIFA de vender participações em competições a investidores privados. Presidente Gianni Infantino oferece verbas, mas enfrenta forte oposição e críticas por falta de transparência.

## União Europeia e Concacaf contra plano da FIFA
A Uefa, entidade que rege o futebol europeu, e suas 55 federações-membro votaram unanimemente a favor de um boicote à Copa do Mundo caso a FIFA avance com seu plano de vender participações em suas competições para investidores privados. A decisão foi tomada em uma reunião de emergência convocada para debater a proposta anunciada pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino.
Paralelamente, a Concacaf, que abrange a América do Norte, Central e Caribe, também informou que suas 41 associações rejeitaram a iniciativa de Infantino. Fontes indicam que a confiança das nações da Concacaf no presidente da FIFA está diminuindo. A Uefa já havia expressado forte oposição, declarando que "a Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento", mas sim como um legado a ser preservado, não vendido a investidores privados.
## Detalhes da Proposta e Contrapropostas
O plano da FIFA prevê a criação de uma subsidiária comercial, a Fifa Forward Enterprise (FFE), para gerir seus principais eventos, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina e o Mundial de Clubes. Investidores externos poderiam adquirir participações minoritárias, sem controle. Para aprovação, a proposta necessita do voto de 106 das 211 federações filiadas à FIFA.
Gianni Infantino busca aprovação oferecendo US$ 40 milhões (aproximadamente R$ 203 milhões) a cada federação que apoiar o plano, com um montante inicial de US$ 20 milhões (cerca de R$ 101,5 milhões) para aquelas que aceitarem até 19 de setembro. Infantino defende a iniciativa como uma "oferta, não uma obrigação". Caso aprovada, a empresa americana de capital de risco Thrive Eternal, liderada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner (genro de Donald Trump), estaria entre os investidores.
## Ameaça de Boicote e Críticas à Gestão da FIFA
O boicote proposto pela Uefa abrangeria todas as competições da FIFA e seria acionado se o plano de Infantino for aprovado. A primeira demonstração dessa postura pode ocorrer em outubro, durante a repescagem da Copa do Mundo feminina. A Uefa criticou a forma como a proposta foi concebida, classificando-a como "irresponsável e indefensável" por ter sido elaborada em segredo e "sem qualquer consulta significativa".
A entidade europeia acusou a FIFA de "enriquecer a si mesma e aos seus amigos" e considerou a situação uma "profunda falha de liderança" e uma "abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial". A Uefa argumenta que as federações nacionais estão diante de um "ultimato" para aceitar a "captura irreversível das maiores competições de futebol" ou "arcar com as consequências", descrevendo a manobra como "governança por intimidação".
Embora a Uefa represente apenas um quarto dos membros da FIFA, ela inclui muitas das seleções mais bem-sucedidas globalmente. A combinação de votos da Uefa e da Concacaf totaliza 96 associações, que provavelmente votarão contra a proposta, desafiando a estratégia de Infantino.