Trump intervém em decisão da Copa e abala regras da arbitragem
Presidente Trump confirma pedido à Fifa para rever cartão vermelho de Folarin Balogun na Copa, gerando forte polêmica sobre arbitragem e regras.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu ter solicitado à Fifa a revisão da suspensão de uma partida imposta ao atacante Folarin Balogun, da seleção americana, durante a Copa do Mundo de 2026. A decisão da entidade máxima do futebol de anular a punição ao jogador, que havia recebido cartão vermelho direto, gerou um debate acirrado sobre a integridade da arbitragem e a aplicação das regras no torneio.
Balogun, de 25 anos, foi expulso em uma partida contra a Bósnia-Herzegovina após uma disputa de bola. A suspensão automática o tiraria do jogo das oitavas de final contra a Bélgica. No entanto, em uma reviravolta surpreendente, a Fifa optou por suspender a sanção por 12 meses, permitindo que o artilheiro americano, com três gols no torneio, estivesse em campo.
Trump declarou em pronunciamento na Casa Branca que sua intervenção foi motivada pela percepção de que a falta não justificava a expulsão, descrevendo o lance como um choque entre dois atletas. Ele enfatizou que apenas solicitou uma revisão ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, e não impôs uma decisão. "Achei que foram dois grandes atletas que se chocaram e acabaram se enroscando", afirmou Trump, acrescentando que a suspensão teria sido "uma grande mancha" no torneio.
A decisão da Fifa, no entanto, provocou forte reação de outras federações e entidades. A Real Associação Belga de Futebol expressou "espanto" e declarou-se "profundamente preocupada com o rumo dos acontecimentos", prometendo lutar pela "ética e pela competição justa". O técnico da seleção inglesa, Thomas Tuchel, questionou onde traçar a linha para futuras revisões de lances, alertando para um "precedente perigoso". A UEFA, por sua vez, considerou que a intervenção da Fifa "cruzou uma linha vermelha".
## Um precedente histórico e polêmico
O caso de Balogun é extremamente raro na história das Copas. Apenas em uma outra ocasião, com Garrincha do Brasil em 1962, um jogador expulso conseguiu disputar a partida seguinte. Na época, as suspensões automáticas ainda não estavam totalmente estabelecidas. A decisão recente da Fifa, cercada por alegações de interferência política, levanta sérias questões sobre a uniformidade e a imparcialidade das decisões de arbitragem.
A principal preocupação é que essa decisão possa abrir portas para recursos em casos de cartões vermelhos, mesmo quando justificados, minando a certeza das punições e a confiança nas regras do futebol. A previsibilidade de um jogador suspenso após uma expulsão, um dos pilares da disciplina em campo, agora parece incerta.