Tecnologia na Copa: VAR e IA geram polêmica e descontentamento

Tecnologia como VAR e IA na Copa do Mundo é criticada por excesso de intervenção e inconsistência, gerando polêmicas e descontentamento entre jogadores e torcedores.

Tecnologia na Copa: VAR e IA geram polêmica e descontentamento

A aposta da Fifa em tecnologias como sensores, inteligência artificial (IA) e o Árbitro Assistente de Vídeo (VAR) para aprimorar a arbitragem na Copa do Mundo tem gerado um debate acirrado e controvérsias. Apesar da expectativa do presidente da entidade, Gianni Infantino, de que a tecnologia reduziria as polêmicas, o torneio evidenciou o contrário, com o uso dessas ferramentas no centro de discussões sobre interferência excessiva e falta de critério uniforme.

Um dos casos que ganhou destaque foi a expulsão do jogador Folarin Balogun, dos Estados Unidos, que chegou a atrair a atenção do então presidente americano Donald Trump. As críticas abrangem desde acusações de que o VAR intervém demais e de forma inconsistente até teorias conspiratórias sobre favorecimento a determinadas seleções ou jogadores. O técnico do Egito, Hossam Hassan, exemplificou essas insatisfações após a derrota de sua equipe para a Argentina nas oitavas de final, quando um gol foi anulado pelo VAR por uma falta anterior e um pedido de pênalti não foi atendido.

As críticas se estendem a decisões que, segundo alguns, não são claras. O chefe de arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina, defendeu a intervenção para anular o gol do Egito, argumentando que uma falta é uma falta, independentemente do tempo ou da distância para o gol. Ele mencionou que a intervenção do VAR pode ocorrer mesmo que a falta não seja óbvia para o árbitro de campo, desde que ele não a tenha visto.

O VAR, inicialmente concebido para corrigir erros "claros e óbvios", como o famoso gol de mão de Maradona em 1986, teve sua aplicação expandida. Na Copa de 2026, com um número maior de partidas, o número de intervenções do VAR já superou edições anteriores. A estratégia de Collina, em colaboração com o órgão responsável pelas regras do futebol (IFAB), ampliou as áreas em que o VAR pode atuar, o que tem levado a um aumento significativo nas verificações.

Especialistas alertam para um futuro de "excesso de arbitragem", onde um grande volume de câmeras e IA poderiam mediar partidas em tempo real. No entanto, Brennan Klein, especialista em ciência de redes, sugere que isso pode não ser bem recebido pelos torcedores, que já demonstram descontentamento com a quantidade de interrupções e a sensação de perda de controle sobre o jogo. "Os torcedores no estádio simplesmente detestam isso", afirmou Klein, destacando que a introdução da tecnologia não necessariamente resolveu o problema que visava.

Um incidente específico que gerou forte reação foi a anulação de um gol da Croácia contra Portugal, onde um sensor na bola detectou um toque mínimo, possivelmente no cabelo de um jogador, para indicar impedimento. O capitão croata Luka Modric expressou frustração, considerando o uso da tecnologia inadequado e seletivo. A Federação Croata de Futebol chegou a enviar um ofício à Fifa classificando a decisão como "um abuso da tecnologia". A discussão sobre o equilíbrio entre a precisão tecnológica e a fluidez do jogo continua em pauta.