Senadora paraguaia rebate Mbappé e pede retratação por ofensas
Senadora paraguaia Celeste Amarilla se retrata de ataques racistas a Mbappé, mas exige desculpas do jogador francês por ofensas pessoais. O caso gerou repercussão internacional e envolveu governos e federações de futebol.

A senadora paraguaia Celeste Amarilla retratou-se nesta terça-feira (7) de suas declarações racistas contra o atacante francês Kylian Mbappé, mas reiterou que não se arrepende de ter defendido os jogadores de seu país durante a Copa do Mundo. Amarilla exigiu que o craque francês também se retrate por tê-la chamado de "mulher desprezível e indigna de seu cargo".
Em uma postagem na rede social X na segunda-feira (6), a senadora, que é da oposição no Congresso paraguaio, descreveu Mbappé como um "camaronês colonizado, fingindo com esforço ser francês, ressentido, novo rico, arrogante e feio" e um "bruto" que não sabia escrever. A resposta de Mbappé veio em um comunicado, onde ele classificou Amarilla como "mulher desprezível" e afirmou que ela não representava o Paraguai.
Horas após a publicação inicial, Amarilla apagou o texto e divulgou uma carta a Mbappé. Nela, acusou o jogador de ter uma conduta arrogante e desdenhosa para com os paraguaios na partida das oitavas de final da Copa do Mundo, que terminou com a vitória da França por 1 a 0. "Me arrependi de ter te tratado mal com os mesmos insultos que recebo, porque também sou desprezada por ser morena e latina — nos chamam de 'sudacas' — me arrependi e apaguei a postagem. Agora exijo que você também se retrate comigo e me peça desculpas. Também não vou tolerar a sua violência", escreveu.
Em coletiva de imprensa, Amarilla reforçou que não pediria desculpas aos seus compatriotas. "Eu me retratei, agora é a vez dele se retratar comigo", declarou. Ela ainda advertiu o jogador: "Não se meta com os paraguaios, Mbappé; aqui já prendemos o Ronaldinho", em alusão à prisão do jogador brasileiro no Paraguai em 2020 por uso de documento falso.
A Federação Francesa de Futebol (FFF) considerou os comentários "absolutamente abomináveis e inaceitáveis" e anunciou intenção de apresentar denúncia criminal. A senadora, contudo, rebateu, afirmando que a FFF não tinha legitimidade para processá-la e que ela mesma já sofreu discriminação na Europa por ser negra.
O governo paraguaio lamentou as declarações de Amarilla, e o presidente do Congresso, Basilio Núñez, também as rejeitou. O governo francês condenou os ataques, e o presidente paraguaio entrou em contato com seu homólogo francês para repudiar as falas.