Reino Unido pede investigação da Fifa após faixa 'Malvinas são argentinas'
Reino Unido pede à Fifa investigação sobre faixa 'Malvinas são argentinas' exibida por jogadores da Argentina após vitória na semifinal da Copa do Mundo. Governo britânico classifica gesto como inadequado e evoca precedentes de punições.

O governo do Reino Unido solicitou nesta quinta-feira (16) que a Fifa investigue o comportamento dos jogadores argentinos após a semifinal da Copa do Mundo. A ação foi motivada pela exibição de uma faixa com a inscrição "As Malvinas são argentinas" logo após a vitória da Argentina sobre a Inglaterra por 2 a 1, em Atlanta.
## Tensão política e esportiva
O secretário de Negócios e Comércio do Reino Unido, Peter Kyle, declarou que a faixa é "totalmente inadequada" e que a política deve ser mantida separada do futebol, um dos princípios da Copa do Mundo. Ele instou a Fifa a conduzir uma "investigação exaustiva" sobre o incidente, um posicionamento que foi endossado por um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. "A Copa do Mundo pode não ser nossa, mas as ilhas definitivamente são", afirmou o porta-voz, reiterando que a posição britânica sobre a soberania das ilhas não mudou.
A disputa pelo arquipélago no Atlântico Sul gerou um conflito armado entre Argentina e Reino Unido em 1982, resultando na morte de centenas de militares de ambos os lados e três civis. A Argentina reivindica soberania sobre as ilhas, conhecidas como Falklands no Reino Unido, desde sua derrota na guerra.
## Possíveis punições e precedentes
A Fifa pode abrir um processo disciplinar contra a Associação do Futebol Argentino com base em seu Código Disciplinar, que proíbe mensagens "inapropriadas" ou de natureza "política, ideológica, religiosa ou ofensiva" nos estádios. As multas previstas para tais infrações variam de US$ 5 mil a US$ 20 mil. A entidade máxima do futebol já multou a Associação do Futebol Argentino em 2014 por uma faixa com a mesma mensagem exibida antes de um amistoso, resultando em uma multa de 30 mil francos suíços.
Em casos anteriores, a Uefa suspendeu jogadores espanhóis por manifestações sobre Gibraltar, um território britânico, após a Euro 2024. O líder dos Liberais Democratas britânicos, Ed Davey, chegou a sugerir que os jogadores argentinos deveriam ser excluídos da final. A vice-presidente argentina, Victoria Villarruel, publicou em redes sociais que "as Malvinas são argentinas" e que os jogadores carregam as ilhas "no sangue e no coração".
O técnico argentino Lionel Scaloni havia afirmado antes da partida que não misturaria futebol e política, lembrando o período "triste da nossa história". No entanto, após a vitória, jogadores como Lisandro Martínez expressaram que "não podíamos decepcionar o povo argentino", jogando também "por eles" em referência aos veteranos da Guerra das Malvinas.