Por que certas músicas tocam em estádios da Copa?
Descubra como a Fifa e as federações criam as playlists dos estádios da Copa do Mundo, misturando hinos globais e músicas nacionais para embalar torcedores e seleções.

As melodias que ecoam nos estádios durante a Copa do Mundo não são fruto do acaso. Uma equipe dedicada da Fifa, em colaboração com as federações nacionais, orquestra playlists com mais de 750 faixas. O objetivo é mesclar hinos clássicos do futebol com sucessos que ressoam com a identidade de cada país participante.
Cada seleção possui uma trilha sonora particular, que inclui uma música tema para o anúncio da escalação, outra para o aquecimento e uma canção especial para celebrar os gols. Ao final de cada partida, a equipe vencedora tem sua música tocada para embalar os torcedores presentes.
No caso do Brasil, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desenvolveu uma playlist exclusiva para a competição. Liderada pelo produtor Papatinho, a faixa "Bate no Peito" une artistas como Ludmilla, João Gomes, Zeca Pagodinho, Samuel Rosa e Veigh. Em vitórias anteriores da seleção, como após o confronto contra a Escócia, a música "Festa", de Ivete Sangalo, animou os estádios.
## Um Retrato Cultural Global
A seleção musical da Copa oferece um fascinante espelho cultural do torneio, especialmente com a expansão para 48 seleções em 2026. Músicas como "Seven Nation Army" (The White Stripes), "Thunderstruck" (AC/DC) e "Freed from Desire" (Gala), que já são presenças constantes em eventos esportivos há uma década, transcendem fronteiras e aparecem em diversas listas.
Esses hinos globais compartilham características essenciais: são cativantes, divertidos e facilmente reconhecíveis. "Elas se associam a um momento de sucesso e permanecem na memória, pois a emoção do momento fica ligada à música", explica Andrew Lawn, autor de "We Lose Every Week: The History of Football Chanting".
## Seleções e Seus Hinos
A Argentina, por exemplo, escolheu "El Matador" (Los Fabulosos Cadillacs) para aquecimento e comemorações, uma canção que, apesar de evocar a força de jogadores como Lionel Messi, também carrega um significado histórico sobre as ditaduras latino-americanas.
Gana optou por "Kakalika", do DopeNation, que celebra a diversidade cultural e linguística. O México apostou em três faixas do tradicional Mariachi Vargas, enquanto a Coreia do Sul selecionou sucessos do K-Pop, com artistas como Blackpink e BTS. Para a França, "One More Time" (Daft Punk) se tornou um hino para os gols de Kylian Mbappé.
A Austrália escolheu o clássico "Down Under" (Men At Work), e a Bélgica optou pelo techno "Pump Up the Jam" (Technotronic) para o aquecimento.
Às vezes, a escolha musical se adapta ao calor do torneio. "Wonderwall" (Oasis) ganhou força após ser entoada pela torcida na vitória da Inglaterra sobre a Croácia na Copa do Mundo de 2026, um momento que o capitão Harry Kane descreveu como um de seus favoritos, fortalecendo a conexão entre equipe e fãs. Similarmente, "Take Me Home, Country Roads" (John Denver) se tornou um hino para os torcedores dos Estados Unidos, superando os tradicionais cânticos de "USA! USA!".