Paraguai pede desculpas à França após senadora ofender Mbappé
Senadora paraguaia ataca Kylian Mbappé com insultos racistas, provocando pedido de desculpas oficial do Paraguai à França e investigação judicial.

Autoridades diplomáticas do Paraguai emitiram um pedido formal de desculpas à França após uma senadora paraguaia, Celeste Amarilla, intensificar ataques discriminatórios contra o jogador de futebol francês Kylian Mbappé. As ofensas, que começaram após a eliminação do Paraguai para a França em uma partida recente, escalaram a ponto de se tornarem uma questão de Estado, envolvendo pronunciamentos de ministros e investigações judiciais.
Durante uma sessão no Senado paraguaio, Amarilla proferiu novos insultos contra Mbappé, chamando-o de "filho da p*", "bruto", "novo-rico" e "camaronês colonizado que finge ser francês", apesar de o jogador ter nascido em Paris. As declarações foram feitas após o jogador supostamente se recusar a cumprimentar o goleiro adversário ao final da partida, em um contexto de provocações mútuas em campo.
## Crise diplomática e reações internacionais
A situação gerou repercussão internacional, com o governo paraguaio enviando uma carta ao governo francês para se distanciar das declarações da senadora. A ministra do Esporte da França, Marina Ferrari, confirmou o recebimento das desculpas e alertou Amarilla sobre uma recepção hostil em seu país. O advogado da senadora chegou a alegar, sem fundamento jurídico, que Mbappé poderia ser extraditado por difamação.
As declarações de Amarilla provocaram condenação generalizada na classe política francesa e até mesmo nas Nações Unidas, que expressaram apoio a Mbappé e repudiaram os ataques racistas. A Federação Francesa de Futebol apresentou uma denúncia por injúria pública e incitação ao ódio e à violência, levando à abertura de uma investigação judicial na França.
## Contexto e desdobramentos
Os ataques da senadora paraguaia ganharam notoriedade após a eliminação do Paraguai para a França em um torneio internacional. No Paraguai, a eliminação foi marcada por reações de torcedores, que chegaram a queimar um boneco de Mbappé em Assunção durante as celebrações da festa de San Juan Ara, um ritual católico de vingança simbólica contra figuras impopulares.
Enquanto Amarilla se recusa a pedir desculpas, autoridades francesas, como a ministra Eleonore Caroit, classificaram o discurso de ódio como "totalmente intolerável" e "inaceitável", enfatizando a necessidade de ações concretas para combater tal retórica. A situação expõe a tensão entre a diplomacia, o esporte e a luta contra o racismo no cenário internacional.