Machismo no Futebol: Brasileiros Reconhecem Barreiras para Mulheres

Pesquisa indica que brasileiros reconhecem machismo no futebol e barreiras para mulheres. Aumento da violência doméstica em dias de jogo também é percebido.

Machismo no Futebol: Brasileiros Reconhecem Barreiras para Mulheres

Uma pesquisa recente aponta que a maioria dos brasileiros reconhece a persistência do machismo no futebol e as barreiras enfrentadas por mulheres no esporte. O levantamento, realizado pela Hibou Pesquisas e Insights em parceria com a plataforma Red é de Sangue, ouviu 1.120 pessoas maiores de 18 anos entre 10 e 16 de junho de 2026, com margem de erro de 2,9 pontos percentuais.

## Percepções sobre o Futebol Feminino e Machismo

Os dados indicam que 86% dos entrevistados discordam da ideia de que "futebol é coisa de homem", percentual que cai para 65% entre o público masculino. Similarmente, 91% rejeitam a afirmação de que o lugar da mulher é apenas na torcida, com uma menor concordância entre os homens. A inaceitabilidade de jogadores questionarem árbitras com base no gênero também é alta, com 85% considerando tal atitude totalmente inaceitável, embora esse índice seja menor (77%) entre os homens.

A pesquisa também abordou a violência contra a mulher em dias de jogos. Cerca de 79% dos entrevistados afirmaram já conhecer ou não se surpreender com estudos que indicam um aumento desses casos. Os principais fatores apontados para essa elevação foram o consumo excessivo de álcool (71%), a falta de educação e respeito (57%) e a misoginia estrutural (53%). Contudo, apenas 26% dos homens associaram o problema ao machismo estrutural.

## Desafios e Interesse Limitado no Futebol Feminino

Apesar da proximidade da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada no Brasil, o interesse regular pelo futebol feminino ainda é limitado. Apenas 2% dos entrevistados acompanham a modalidade com frequência, enquanto 22% assistem ocasionalmente. Entre os homens, o acompanhamento regular aumenta para 7%, mas um terço ainda não acompanha o futebol feminino.

No entanto, 68% concordam que o futebol feminino é desvalorizado devido ao preconceito de gênero, demonstrando um reconhecimento das dificuldades enfrentadas pelas atletas. A pesquisa também revelou que 90% concordam que árbitras enfrentam mais pressão e desrespeito que árbitros homens, com 70% entre os homens compartilhando essa visão. Setenta e nove por cento dos brasileiros acreditam que homens questionam mais o conhecimento de futebol de mulheres do que de outros homens, e 58% afirmam que elas precisam provar seu entendimento do esporte para serem levadas a sério como torcedoras.

O machismo também se manifesta na credibilidade dada a profissionais. Catorze por cento dos entrevistados confiam mais em comentários esportivos feitos por homens, subindo para 25% entre o público masculino. Além disso, 70% dos brasileiros acreditam que a rejeição a narradoras esportivas está ligada ao machismo.