Infantino sob fogo: Interferência de Trump ofusca presidência na Copa

Presidente da Fifa, Gianni Infantino, teve sua imagem abalada após polêmica com Donald Trump durante a Copa de 2026. Interferência política e denúncia por violação de neutralidade marcam o fim do torneio.

Infantino sob fogo: Interferência de Trump ofusca presidência na Copa

## Presença em Destaque, Mas com Ressalvas

Gianni Infantino, presidente da Fifa, buscou intensamente a exposição durante a Copa do Mundo de 2026, com sua imagem frequentemente exibida nos telões dos estádios e transmitida para bilhões de espectadores globalmente. A presença constante do dirigente nos principais jogos, muitas vezes com um esforço para projetar uma imagem próxima à dos jogadores, tornou-se uma marca registrada do torneio. Infantino frequentemente compartilhava em suas redes sociais interações com lendas do futebol, como rodadas de bobinho com ícones brasileiros, visando construir uma narrativa de proximidade com o esporte.

No entanto, essa estratégia de visibilidade midiática sofreu um abalo significativo. Um episódio específico envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou uma sombra sobre a gestão de Infantino. Trump admitiu publicamente ter contatado Infantino por telefone para interceder após a expulsão do jogador americano Folarin Balogun durante uma partida.

## Interferência Política e Críticas

A confissão de interferência por parte de Trump, que foi admitida também por Infantino, transformou o presidente da Fifa em uma figura secundária em um contexto onde o protagonista fora das quatro linhas era o líder americano. Em um evento em Nova York, Trump detalhou o ocorrido, descrevendo a ligação como um dos momentos mais "inesquecíveis" da Copa, onde solicitou a reavaliação da decisão disciplinar contra Balogun. A satisfação de Trump com o desfecho, que permitiu ao time americano prosseguir sem controvérsias aparentes, evidenciou a pressão exercida.

## Denúncia e Questionamentos sobre Neutralidade

O caso gerou forte repercussão e revolta no meio futebolístico, impactando a imagem da própria seleção dos EUA. A Fifa aplicou um artigo de seu regulamento que permite a suspensão de medidas disciplinares, colocando Balogun em um período probatório e liberando-o para a partida seguinte. Em resposta a essa e outras ações, a ONG de direitos humanos Fair Square apresentou uma denúncia ao Comitê de Ética do COI (Comitê Olímpico Internacional). A organização alega "violações recorrentes na neutralidade política" por parte de Infantino, citando seu apoio a Donald Trump e a pressão política durante a Copa. A denúncia questiona a submissão do dirigente a pressões externas que poderiam contornar as regras disciplinares da entidade.

A Fifa não se pronunciou oficialmente sobre a denúncia da ONG, mantendo o silêncio diante das crescentes críticas e dos questionamentos sobre a independência e a neutralidade de suas decisões sob a presidência de Gianni Infantino.