Haaland atrai holofotes e afeta comércio em Miami
A performance de Erling Haaland e a classificação da Noruega na Copa do Mundo causam impacto em Miami, desde o aumento do interesse midiático e turístico até mudanças nas vendas de lojas, enquanto turistas brasileiros se veem sem seus planos originais após a eliminação do Brasil.

A ascensão meteórica de Erling Haaland na Copa do Mundo está transcendendo os gramados e reverberando significativamente em Miami, cidade que se tornou palco de jogos importantes. O volante norueguês Morten Thorsby, da Cremonese, expressou surpresa com a magnitude da cobertura midiática em torno da seleção de seu país, descrevendo a coletiva de imprensa como a maior de sua carreira. Esse aumento no interesse jornalístico se espelha no fervor popular, com a empresa aérea local reportando voos extras para Miami, impulsionados pela expectativa em torno do desempenho da Noruega.
"Se você olhar as cenas na Noruega, isso não é normal. É um momento superespecial", comentou o próprio Haaland, ciente do impacto de sua performance. Miami, por sua vez, tem sentido as mudanças de forma palpável. Lojas no Bayside, um conhecido mercado a céu aberto, observam um aumento na procura por itens da Noruega, enquanto a demanda por camisas da seleção brasileira despencou drasticamente após a eliminação. Uma lojista relatou a queda de vendas de cerca de 50 camisas do Brasil por dia para apenas três ou quatro.
## Mudanças no Comércio Local
Para alguns estabelecimentos, a Copa do Mundo representou um boom nas vendas. Jeffrey Berducido, gerente da Mad About Soccer, especializada em camisas de futebol, calcula um aumento de cinco a seis vezes em suas vendas. Ele menciona que, inicialmente, houve alta procura por seleções populares como Brasil, Argentina e Portugal, além de equipes que jogaram em Miami, como o Uruguai. No entanto, as eliminações precoces de favoritas afetaram o estoque, com camisas de seleções como Alemanha e Holanda encalhadas. Atualmente, o foco se volta para equipes que avançaram mais longe, como Marrocos e a própria Noruega.
Miami, que normalmente não tem seu pico de movimento no verão devido à temporada de furacões e ao calor intenso, encontra na Copa um impulso inesperado. A cidade costuma receber mais turistas no outono e inverno, quando as temperaturas são mais amenas. Por isso, o movimento adicional gerado pelo torneio tem sido bem-vindo por todos.
## Turistas Brasileiros em Desconcerto
Contudo, nem todos os planos se concretizaram como esperado. Brasileiros que se organizaram para assistir aos jogos em Miami se encontram em uma situação de incerteza após a eliminação da seleção canarinho. Vinícius Carapeba, de Recife, e sua tia Alexandra, por exemplo, compraram ingressos para as quartas de final, contando com a classificação do Brasil. "A gente está meio à deriva", admitiu Carapeba. "A gente veio ficar em Miami, mas não vamos mais ao jogo. Estava com a cabeça quente na hora e disse para minha tia vender os ingressos. Agora estou arrependido."
A maioria dos brasileiros que planejou a viagem para os jogos agora cogita torcer pela Inglaterra, uma escolha estratégica que visa ver um adversário forte contra uma possível final contra a Argentina. Marcelo Marafon, de São Paulo, que se planejou com o filho para assistir a várias fases do torneio, brincou: "Se não fosse a Argentina, até torcia para a Noruega ir mais longe. Chega de só pegar baba". A Copa, portanto, não apenas alterou a dinâmica comercial de Miami, mas também gerou reviravoltas nos planos de fãs brasileiros, evidenciando a imprevisibilidade e a paixão que o futebol desperta.