Fifa desiste de privatizar Copa do Mundo após forte reação

Fifa desiste de plano para privatizar direitos comerciais da Copa do Mundo após forte reação e ameaça de boicote da Uefa e outras confederações.

Fifa desiste de privatizar Copa do Mundo após forte reação

A Fifa anunciou nesta sexta-feira (31 de julho de 2026) que desistiu do controverso projeto de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma empresa destinada a gerenciar os direitos comerciais da Copa do Mundo e vendê-los a investidores privados. A decisão veio após uma onda de reações negativas e ameaças de boicote por parte de importantes entidades do futebol mundial.

## Rejeição e Consequências

O plano, que visava criar uma subsidiária avaliada em aproximadamente US$ 20 bilhões (cerca de R$ 102,6 bilhões) e vender até 20% de sua participação a investidores privados por cerca de US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 21,5 bilhões), enfrentou forte oposição. A Uefa, juntamente com suas 55 federações filiadas, aprovou por unanimidade um boicote às competições organizadas pela Fifa caso o projeto prosseguisse. A Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também expressaram profunda preocupação e oposição.

Em comunicado, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, declarou que o projeto "criou divisões que, independentemente do nível de apoio, já não servem ao objetivo inicialmente proposto". Ele afirmou que buscará dialogar com as partes interessadas para encontrar outras formas de apoiar o desenvolvimento do futebol.

## Renúncia e Críticas Internas

A polêmica levou à renúncia de Carlos Cordeiro, principal assessor de Infantino e ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos. Cordeiro classificou a proposta como "um mau negócio para o futebol" e "hipotecar o futuro do esporte". Outro dirigente, Kevin Lamour, diretor de operações da Fifa, criticou a falta de transparência e afirmou que o projeto era "de uma única pessoa", referindo-se a Infantino.

Investidores privados, incluindo um grupo associado a Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner (genro do ex-presidente dos EUA Donald Trump), e o banco JP Morgan, estariam interessados no negócio. No entanto, fontes indicaram que os investidores já haviam desistido do acordo antes mesmo do anúncio oficial da desistência da Fifa.

O projeto da FFE previa a gestão dos direitos comerciais da Copa do Mundo, Copa do Mundo Feminina e Mundial de Clubes. A Fifa, que possui bilhões em caixa e nenhuma dívida, segundo Cordeiro, buscava capitalizar esses ativos, mas enfrentou resistência por parte de entidades que consideram o futebol um patrimônio a ser protegido de interesses puramente comerciais e de propriedade privada.

A Uefa argumentou que o futebol "não pode ser tratado como um produto de investimento" e que a iniciativa da Fifa era antidemocrática e colocava as federações nacionais em situação delicada. A entidade europeia chegou a ameaçar não participar de competições como a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada no Brasil, caso a proposta não fosse abandonada e garantias contra a propriedade privada fossem dadas.