Fifa cede a Trump e expõe vulnerabilidade do futebol à política

Fifa cede a pressão de Donald Trump e permite que jogador Folarin Balogun jogue após receber cartão vermelho, levantando debates sobre interferência política no futebol.

Fifa cede a Trump e expõe vulnerabilidade do futebol à política

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) cedeu a pressões políticas vindas dos Estados Unidos, lideradas pelo então presidente Donald Trump, para suspender a punição de um cartão vermelho aplicado ao jogador Folarin Balogun. A decisão, tomada pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, permitiu que Balogun, artilheiro da seleção americana, participasse da partida seguinte contra a Bélgica, que, no entanto, terminou com derrota para os EUA por 4 a 1. O episódio gerou críticas e levantou preocupações sobre a influência política em decisões esportivas.

## Interferência política em campo

O caso Balogun não é o primeiro em que a Fifa demonstra deferência a Trump. Anteriormente, Infantino concedeu a Trump um insólito Prêmio da Paz da Fifa e atendeu a exigências para que a seleção do Irã retornasse ao México após jogar nos EUA. Além disso, a entidade não se opôs à negativa de entrada nos EUA para o juiz somali Omar Abdulkadir Artan, eleito o melhor árbitro da África em 2025, impedindo sua participação na Copa do Mundo.

## Precedentes históricos e o artigo 27

A interferência política em decisões de campo não é inédita. Em 1962, durante a Copa do Mundo, a Fifa relevou a expulsão de Garrincha para que ele pudesse jogar a final contra a Tchecoslováquia, atendendo a uma mensagem do então primeiro-ministro Tancredo Neves, a pedido do presidente João Goulart. Na situação de Balogun, a Fifa utilizou o artigo 27 de seu Código Disciplinar, que permite a suspensão total ou parcial de medidas punitivas, um mecanismo similar ao efeito suspensivo comum no Brasil. Apesar de Balogun ainda poder ser punido em caso de reincidência, a decisão da Fifa foi amplamente criticada por comprometer a integridade do esporte.

## Integridade e o espírito do futebol

O editorial do veículo original ressalta que, embora seja natural que dirigentes da Fifa cultivem bom relacionamento com políticos, essa proximidade não deve interferir nas decisões tomadas em campo. A autoridade máxima dentro das quatro linhas deve ser o árbitro, e a sujeição a demandas políticas ou ideológicas é vista como prejudicial ao espírito do futebol, que, segundo o próprio slogan da entidade, busca unir os povos. A interferência em questão é considerada deletéria para o desenvolvimento do esporte.