Férias escolares durante Copa Feminina: Lei é criticada e vista como descabida
Lei de férias escolares durante a Copa Feminina de 2025 é criticada por especialistas e pais. Medida gera preocupação com logística familiar e pedagógica.

A lei que determina férias escolares durante a Copa do Mundo Feminina de 2025, entre 24 de junho e 25 de julho, tem sido alvo de intensas críticas por ser considerada descabida e desnecessária. O projeto, enviado pelo governo e aprovado pelo Senado em maio, foi sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mês passado, com o objetivo de atender a demandas da FIFA.
Especialistas e pais questionam a decisão, lembrando o precedente da Copa do Mundo de 2014. Naquela ocasião, uma lei semelhante determinou ajustes nos calendários escolares, mas o Conselho Nacional de Educação posteriormente concedeu autonomia às redes de ensino. Em muitas cidades-sede, os alunos foram liberados apenas nos dias de jogos do Brasil ou em partidas realizadas localmente, uma abordagem considerada mais sensata.
A obrigatoriedade de um longo recesso escolar no meio do ano gera preocupações significativas. Para pais e responsáveis, a necessidade de encontrar cuidadores para as crianças e reorganizar rotinas pode ser um grande transtorno, especialmente em estados onde férias extensas nessa época do ano não são comuns. A reposição de aulas aos sábados ou em outros períodos fora do horário escolar regular pode ser necessária, gerando estresse adicional para famílias e estudantes.
Felipe Michel Braga, presidente do Fórum Nacional de Conselhos Estaduais e Distrital de Educação, destacou ao GLOBO os custos envolvidos na antecipação ou prorrogação do calendário escolar. Ele ressaltou que a medida impõe dificuldades não apenas às escolas, mas também às famílias, que não têm como conciliar essas mudanças com seus empregos. A pergunta sobre quem cuidará das crianças e o impacto no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que ocorre no final do ano, também foram levantados.
A FIFA, por sua vez, expressa preocupação com a logística de seus torneios. Embora a taxa de ocupação nos estádios da última Copa do Mundo Feminina (Austrália e Nova Zelândia, 2023) tenha sido alta, o fluxo de turistas estrangeiros foi menor do que o projetado, contrariando a expectativa de aeroportos lotados e trânsito caótico no Brasil em 2025. A preocupação com o impacto no fluxo de pessoas e no trânsito é considerada exagerada por muitos, que acreditam que o país tem capacidade de sediar um evento de sucesso sem prejudicar o cotidiano escolar e familiar.