Ex-técnico da Coreia do Sul revela ameaças de morte e pede desculpas
Ex-técnico da Coreia do Sul, Hong Myung-bo, pede desculpas por eliminação na Copa e revela ameaças de morte que o forçaram a proteger a família.

Duas semanas após a eliminação da Coreia do Sul na fase de grupos da Copa do Mundo, o ex-técnico Hong Myung-bo finalmente quebrou o silêncio. Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira, Hong pediu desculpas pelo desempenho da equipe e assumiu total responsabilidade pelo resultado, revelando que precisou deixar o país após receber ameaças direcionadas a ele e à sua família. Hong renunciou ao cargo em 28 de junho, um dia após a confirmação da queda sul-coreana no Mundial, que deixou a equipe com apenas uma vitória em três partidas e marcada por uma surpreendente derrota para a África do Sul.
A reação à eliminação foi intensa no país asiático. Torcedores e até mesmo integrantes do governo passaram a cobrar mudanças profundas na seleção, com o treinador se tornando o principal alvo das críticas. Em seu pronunciamento, Hong pediu desculpas sinceras aos torcedores e admitiu a falha em atingir as expectativas da nação. "Como técnico, aceito essa responsabilidade com muita seriedade e peço profundas desculpas mais uma vez", declarou.
Hong explicou que sua ausência de manifestações públicas nas duas semanas seguintes à despedida da Copa se deu por acreditar que o peso do resultado deveria ser carregado unicamente por ele. "Acreditava que os resultados da seleção eram um fardo que eu, como treinador, precisava carregar. Por isso, não pude compartilhar minha posição com o público até agora", disse. Ele também lamentou a proliferação de informações falsas e rumores que surgiram durante esse período.
A pressão sobre Hong aumentou consideravelmente quando ele foi visto deixando a Coreia do Sul em direção aos Estados Unidos. A viagem foi interpretada por parte da opinião pública como uma tentativa de fugir das consequências da eliminação. No entanto, o ex-técnico negou veementemente essa interpretação.
## Proteção familiar como prioridade
Segundo Hong Myung-bo, a decisão de deixar o país foi motivada por ameaças de morte e pela necessidade de garantir a segurança de seus familiares. "Não foi uma decisão de fugir das consequências. Havia ameaças direcionadas a mim e à minha família, além de preocupações com a nossa segurança pessoal. Como chefe da família, eu precisava protegê-los", explicou o treinador.
A passagem de Hong pelo comando da seleção coreana já era marcada por forte pressão desde antes do início da Copa. Ele chegou ao Mundial questionado por parte da torcida e não conseguiu reverter as críticas durante a competição. A derrota para a África do Sul, na última rodada da fase de grupos, intensificou a indignação, pois a Coreia do Sul precisava de um resultado positivo para avançar.
A renúncia do treinador, anunciada no dia seguinte à eliminação, não foi suficiente para encerrar as cobranças. A opinião pública passou a exigir mudanças estruturais na federação e explicações detalhadas sobre o planejamento para o Mundial. A crise esportiva chegou a ter repercussão no cenário político.
## Disponibilidade para audiência parlamentar
A possibilidade de uma audiência no Parlamento para discutir o desempenho da seleção e as decisões tomadas durante o ciclo de preparação para a Copa do Mundo passou a ser considerada no país. Hong Myung-bo declarou que está disposto a comparecer caso seja convocado e considera o Parlamento o local adequado para apresentar sua versão sobre a campanha sul-coreana. "Se uma audiência parlamentar for realizada, acredito que essa seja a plataforma apropriada para explicar os resultados da Copa do Mundo. Assumirei total responsabilidade e apresentarei os fatos exatamente como os conheço", afirmou.