Doença Rara Quase Impede Messi de Jogar Futebol

Saiba como a deficiência do hormônio do crescimento quase impediu Lionel Messi de se tornar um astro do futebol e como o Barcelona ajudou no tratamento.

Doença Rara Quase Impede Messi de Jogar Futebol

A trajetória de Lionel Messi no futebol, marcada por recordes e títulos, quase foi interrompida por um problema de saúde na infância. Diagnosticado aos 11 anos com deficiência do hormônio do crescimento (GHD), o craque argentino enfrentou um tratamento que poderia ter mudado seu destino.

## O Desafio da Deficiência Hormonal

Em 1999, em Rosário, Argentina, Messi, com apenas 1,32 metro de altura, recebeu o diagnóstico. A condição, rara e que afeta entre 1 em cada 3 mil a 10 mil crianças, ocorre quando a glândula hipófise não produz hormônio suficiente para o desenvolvimento ósseo e muscular. Sem tratamento, a expectativa médica era que ele não passasse de 1,40 metro.

Para reverter o quadro, Messi precisou de injeções diárias de hormônio de crescimento sintético. Ele mesmo aprendeu a aplicar a medicação, um processo que se estendeu por anos e representava um alto custo para a família: cerca de US$ 1.500 mensais. O pai, operário, e a mãe, faxineira, enfrentaram dificuldades financeiras para manter o tratamento.

O clube Newell's Old Boys, onde Messi jogava nas categorias de base, chegou a arcar com parte das despesas. Contudo, a continuidade do tratamento tornou-se uma preocupação constante, levando a família a buscar alternativas.

## A Solução Veio da Espanha

Aos 13 anos, uma oportunidade surgiu com um teste no Barcelona. O clube catalão, impressionado com o talento do jovem, concordou em cobrir os custos do tratamento em troca da transferência de Messi para suas categorias de base. O acordo inicial foi selado de forma informal, sobre um guardanapo.

## Tratamento e Regras Antidoping

O uso de hormônio de crescimento é proibido pelo código antidoping. No entanto, o tratamento de Messi se enquadra na Isenção para Uso Terapêutico (TUE), concedida pela Agência Mundial Antidoping (Wada) e aplicada por órgãos como a Fifa. Essa permissão é dada quando há necessidade médica comprovada, sem alternativas permitidas e com o objetivo de restabelecer condições fisiológicas normais, sem gerar vantagem competitiva.

Para Messi, o hormônio sintético apenas permitiu que ele atingisse uma estatura próxima à média, sem superar o desenvolvimento natural de outras crianças. O tratamento iniciado precocemente foi crucial não apenas para sua altura final – 1,70 metro –, mas também para permitir que ele desenvolvesse suas habilidades excepcionais, que já se destacavam desde cedo nas categorias de base.