Diferença de Gerações: Pai Vive Penta, Filho Sonha com Hexa na Copa
Em Campo Grande, pai que viveu o penta e filho que não tem memória da conquista torcem juntos pelo hexa em noite tensa de oitavas de final da Copa do Mundo contra a Noruega.

A paixão pela Seleção Brasileira transcende gerações, e essa dinâmica ficou evidente na noite deste domingo (05/07/2026), em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. No bar Bola na Trave, no bairro Nova Lima, cerca de 50 torcedores acompanharam com apreensão o confronto entre Brasil e Noruega, válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Entre eles, a relação entre pai e filho simboliza a distinta experiência dos brasileiros com as conquistas da equipe nacional.
Aparecido Gomes, mestre de obras de 58 anos, ostenta a rara memória de ter vivenciado diretamente duas das cinco conquistas da Seleção: os títulos de 1994 e 2002. Para ele, que acompanha o time desde 1973, cada jogo é uma mistura de nostalgia e esperança, embora admita a incerteza sobre o desfecho desta edição do torneio. "Eu sou muito, muito torcedor. Vi o Brasil ser campeão, mas agora não sei se esse ano vai ser", declarou Aparecido, com o coração acelerado a cada lance.
Em contraste, seu filho, Cleir Pinheiro, de 25 anos, carrega a angústia de uma geração que cresceu ouvindo sobre o pentacampeonato, mas sem ter a própria memória afetiva daquele momento. Aos 2 anos em 2002, a conquista passou despercebida. "Eu espero que o Brasil seja campeão, porque eu falo: pô, o Brasil tem que ser campeão. Eu tenho 25 anos e não vou ver o Brasil ser campeão? Não dá para o meu coração", desabafou Cleir, refletindo o desejo de muitos jovens de vivenciar o hexa.
## Tensão e Expectativa no Bar
A partida contra a Noruega testou os nervos dos presentes. A dificuldade do Brasil em converter oportunidades, incluindo um pênalti perdido, gerou apreensão. Lucas Podolske, 29 anos, criador de conteúdo, expressou a frustração com as chances desperdiçadas. "O Brasil tá ruim, já perdeu o pênalti. Estão tentando, tentando, e não fazem gol. Tá difícil. Vai ser um jogo bem difícil, mas eu acredito que vai ganhar", ponderou, ressaltando que o principal desafio reside na própria capacidade da equipe de finalizar as jogadas. "O perigo mesmo é o Brasil não acertar, mas ele tem que acertar e vai ganhar. Eu acredito nisso".
Agatha Beatrice, 22 anos, também demonstrou cautela, apontando o estilo de jogo físico e a estatura elevada dos atletas noruegueses como um diferencial. "Eu estou um pouquinho preocupada. A Noruega é um time um pouquinho agressivo. Eles são bem altos, né? Nossa equipe brasileira tem a estatura um pouco mais baixa e tem uma dificuldade maior. Mas eu tenho fé na seleção brasileira, que eles vão trazer o hexa para a gente", confiou.
O jogo, que terminou o primeiro tempo empatado em 0 a 0, manteve a atmosfera de expectativa e sofrimento compartilhado. A dinâmica entre Aparecido e Cleir, pai e filho unidos pela mesma paixão, mas divididos pelas memórias e expectativas, encapsula a jornada emocional de muitos torcedores brasileiros durante a busca pelo tão sonhado hexacampeonato.