De la Fuente: O técnico discreto que reergueu a Espanha

Luis de la Fuente, técnico da Espanha, construiu uma seleção forte a partir das categorias de base, levando o time à final da Copa do Mundo com um trabalho coletivo e profundo conhecimento dos atletas.

De la Fuente: O técnico discreto que reergueu a Espanha

Luis de la Fuente, técnico da seleção espanhola, chega à final da Copa do Mundo com um trabalho coletivo notável, contrastando com a fama de outros treinadores renomados. Sua trajetória é marcada pela ascensão nas categorias de base da própria Espanha, onde forjou a identidade da equipe que hoje disputa o título mundial.

## Ascensão pelas Categorias de Base

De la Fuente assumiu a seleção principal após a Copa de 2022, substituindo Luis Enrique. Sua experiência profissional anterior era limitada a uma curta e pouco bem-sucedida passagem pelo Deportivo Alavés. No entanto, a partir de 2013, ele iniciou uma longa jornada nas seleções de base espanholas, liderando as equipes sub-19 e sub-21, além da seleção olímpica. Durante esse período, conquistou o Campeonato Europeu sub-19 e sub-21, e a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021, onde a Espanha foi derrotada pelo Brasil na final.

Essa vivência nas categorias de base permitiu a De la Fuente desenvolver um profundo conhecimento dos jovens talentos espanhóis. Cinco jogadores que conquistaram a medalha olímpica de prata em 2021 integram a equipe que chegou à final da Copa do Mundo. O treinador destaca a relação de confiança construída ao longo de muitos anos com a maioria dos jogadores, descrevendo-a como algo "muito mais profundo" que uma relação convencional entre técnico e atleta. Essa conexão, segundo ele, fortalece o entendimento mútuo e a disposição para o esforço máximo.

## Leveza e Foco no Coletivo

Apesar da pressão de disputar uma final de Copa do Mundo, De la Fuente mantém uma abordagem leve e focada no aspecto humano de seus jogadores. Ao contrário de treinadores que se dedicam intensamente ao mundo digital e à busca por popularidade nas redes sociais, ele prefere concentrar-se no trabalho tático da equipe, como a posse de bola e a pressão alta. Essa estratégia tem se mostrado eficaz, levando a Espanha a disputar o título contra a Argentina de Lionel Messi.

O técnico espanhol exemplifica um modelo de sucesso construído em torno da continuidade e do conhecimento profundo dos atletas. Sua capacidade de extrair o melhor de um grupo coeso, formado com base em anos de trabalho nas categorias de base, o consolida como uma figura central no protagonismo da Espanha na Copa do Mundo, mesmo sem possuir a mesma grife de outros treinadores badalados internacionalmente.