Corinthians pede 'compreensão' e Cuiabá exige manutenção de 'transfer ban'
Corinthians alega dificuldades financeiras e pede 'compreensão' da CNRD para adiar pagamento de dívida, enquanto Cuiabá exige manutenção do 'transfer ban'.

## Dívida e Punição em Aberto
O Corinthians enfrenta uma nova crise financeira que impacta diretamente seu planejamento esportivo. O clube paulista informou à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da CBF, sua incapacidade de honrar o pagamento da parcela de um plano coletivo de credores, com vencimento na última sexta-feira. Em resposta, o Cuiabá, principal credor no processo e detentor de valores a receber pela venda do volante Raniele, protocolou uma manifestação exigindo a manutenção da punição de proibição de registrar novos atletas por seis meses. A equipe mato-grossense considera que o pedido de "compreensão" do Corinthians, após admitir o não cumprimento do acordo, demonstra falta de boa-fé.
## Justificativas e Manobras do Corinthians
Na última quinta-feira, véspera do vencimento da quinta parcela, estimada em R$ 8 milhões, a diretoria corintiana apresentou um documento à CNRD solicitando flexibilidade. A justificativa apresentada inclui o pagamento de R$ 170 milhões em dívidas apenas em 2026 e a alegação de perda de faturamento devido à paralisação do calendário futebolístico para a disputa da Copa do Mundo. O clube propôs o pagamento conjunto das parcelas de julho e outubro até o final de agosto, argumentando que a sanção deveria ser suspensa após a quitação conjunta. A manobra visa permitir que o departamento de futebol registre novos jogadores durante a janela de transferências, que se encerra em 11 de setembro, buscando um respiro financeiro enquanto tenta reverter outras punições da FIFA.
## Cobrança do Cuiabá e Histórico de Descumprimento
O Cuiabá, por sua vez, acionou a CNRD nesta segunda-feira (20) solicitando a rejeição dos pedidos do Corinthians e a manutenção do "transfer ban". O clube mato-grossense baseia sua argumentação no histórico de descumprimento do plano coletivo de pagamento. No ano anterior, o Corinthians já havia ficado impedido de registrar novos jogadores por três meses devido ao não cumprimento dos termos do acordo homologado em abril do ano passado. Este plano prevê o pagamento total de R$ 76 milhões ao longo de seis anos, com parcelas trimestrais, sendo 80% destinadas ao credor principal e 20% para honorários advocatícios. O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, declarou que o não recebimento dos valores devidos pelo Corinthians afeta diretamente a capacidade do clube de arcar com os direitos de imagem de seu próprio elenco.