Copa do Mundo: Expansão, polêmicas e lucros marcam edição histórica

A Copa do Mundo de 48 seleções gerou recordes de receita para a FIFA, mas também polêmicas sobre preços, pausas para hidratação e interferências políticas. Novas equipes trouxeram emoção, enquanto a entidade planeja futuras expansões.

Copa do Mundo: Expansão, polêmicas e lucros marcam edição histórica

A maior Copa do Mundo de todos os tempos, realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, chegou ao fim com um balanço agridoce. O torneio, que expandiu pela primeira vez para 48 seleções, proporcionou histórias emocionantes e a consagração das principais potências do futebol, mas também foi marcado por polêmicas extracampo, altos custos para os torcedores e novas oportunidades comerciais para a FIFA.

## Expansão e Histórias Inéditas

A inclusão de novas seleções como Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão trouxe um frescor à fase de grupos. Cabo Verde, em particular, surpreendeu ao empatar com Espanha e Uruguai, e avançar para a fase eliminatória, onde chegou a levar a Argentina à prorrogação. A expansão permitiu que histórias como a do goleiro Vozinha, de 40 anos, inspirassem o país africano, algo que não seria possível no formato anterior. A performance de seleções debutantes, como a RD Congo que empatou com Portugal, também garantiu momentos de emoção e quebrou a monotonia que poderia ter caracterizado a fase inicial do torneio com as equipes favoritas avançando facilmente.

## Polêmicas e Lucros da FIFA

O torneio não escapou de controvérsias. A politização começou antes mesmo da bola rolar, com questões de vistos e a participação do Irã. A interferência do presidente dos EUA, Donald Trump, para anular um cartão vermelho de um jogador americano, expôs a proximidade entre a Casa Branca e a FIFA. As pausas para hidratação, embora justificadas pela entidade como medidas de bem-estar e integridade esportiva, foram criticadas por técnicos e jogadores, e vaiadas pelos torcedores. Especialistas apontam que essas pausas, que duravam cerca de 90 segundos, abriram uma nova e lucrativa janela para emissoras e patrocinadores exibirem anúncios, gerando potenciais centenas de milhões de dólares em receita adicional, especialmente nos EUA. A Fox Sports, por exemplo, cobrou entre US$ 200 mil e US$ 750 mil por 30 segundos de publicidade durante esses intervalos.

## Custos Elevados e Lado Econômico

Para os torcedores, a Copa foi financeiramente desafiadora. Os altos preços dos ingressos, com críticas à estratégia de preços dinâmicos da FIFA, foram amplamente noticiados. Ingressos para a final chegaram a ser oferecidos oficialmente por US$ 32.970, com revendas ultrapassando os US$ 2 milhões. O aumento expressivo no preço das passagens de trem para o estádio também gerou revolta. Apesar disso, a FIFA, principal beneficiária, arrecadou um valor recorde de US$ 7,6 bilhões com o Catar 2022 e espera superar esse montante em 2026. A entidade planeja expandir ainda mais o torneio para 64 equipes, visando atrair mercados como China e Índia, e aumentar ainda mais suas receitas, provenientes de direitos de transmissão, patrocínios e licenciamento. Marion Laboure, estrategista do Deutsche Bank Research, afirma que a FIFA é "sem dúvida" a principal vencedora, com receitas projetadas em US$ 13 bilhões ao longo do ciclo de quatro anos.

Apesar de consolidar o domínio das quatro primeiras seleções do ranking da FIFA nas semifinais e apresentar uma disputa acirrada pela artilharia, a edição de 2026 também levantou questionamentos sobre a sustentabilidade do modelo expandido e a acessibilidade para o fã comum, que arcou com os custos mais elevados para vivenciar o maior evento do futebol mundial.