Brasil vive maior jejum de Copas desde 1958; entenda os motivos

Brasil completa 28 anos sem título da Copa do Mundo, o maior jejum desde 1958. Especialistas analisam o fim da hegemonia e a necessidade de adaptação a um futebol globalizado e mais tático.

Brasil vive maior jejum de Copas desde 1958; entenda os motivos

A seleção brasileira de futebol atravessa o seu mais longo período sem conquistar uma Copa do Mundo desde 1958. Com a eliminação na edição de 2026 após derrota para a Noruega, o Brasil completa 28 anos sem levantar o troféu mais cobiçado do esporte, superando o hiato de 24 anos entre os títulos de 1970 e 1994.

## O fim da hegemonia e a perda do improviso

Especialistas apontam que a globalização do futebol e a evolução tática e física das seleções mundiais diminuíram o espaço para o improviso, característica marcante do estilo brasileiro. O jornalista e pesquisador Celso Unzelte, da ESPN, destaca que o futebol se tornou um grande negócio de entretenimento, exigindo maior organização e planejamento. "O improviso com o qual o Brasil surpreendia o mundo tem menos espaço e o Brasil perdeu a hegemonia", afirma Unzelte.

## Europa lidera a evolução tática e financeira

Desde a última conquista brasileira em 2002, quatro das cinco Copas foram vencidas por seleções europeias. Clubes europeus dispõem de orçamentos vultosos, permitindo investimentos em tecnologia, capacitação técnica e medicina esportiva, além da contratação dos melhores talentos globais. Marcelo Paganini de Toledo, especialista em marketing esportivo, ressalta que "apenas o talento individual não resolve mais. As seleções estão mais organizadas, mais físicas e mais preparadas".

## Crise de modelo e a busca por uma nova identidade

O sociólogo Rogério Baptistini, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, sugere que o futebol brasileiro vive uma crise de modelo, não inédita em sua história. Ele relembra a discussão em 1994 sobre jogar bonito ou focar no resultado. Atualmente, a questão é como o Brasil deve se posicionar: manter o futebol alegre e arte, ou adotar um novo paradigma. Anderson Gurgel, professor de jornalismo esportivo na Universidade Mackenzie, complementa que "para ganhar, tem de jogar muito e ter planejamento maior. A lógica é mais complexa do que no passado".

A projeção é que em 2030, quando ocorrer a próxima Copa do Mundo, o jejum brasileiro já terá atingido 28 anos, um marco que acende o debate sobre a necessidade de reformulações profundas para recolocar o país no topo do futebol mundial.