Brasil na Copa: Baixa posse de bola e ataque ineficiente ofuscam desempenho

Seleção brasileira teve a menor posse de bola em Copas desde 1966 e mostrou ineficiência em converter chances de gol, além de lentidão na recuperação de bola e baixa intensidade física.

Brasil na Copa: Baixa posse de bola e ataque ineficiente ofuscam desempenho

A eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026, após derrota para a Noruega, expôs deficiências críticas na performance da equipe, que vão além da baixa posse de bola, a menor registrada desde 1966, com apenas 34%. Essa estatística, embora alarmante, ofuscou outros indicadores preocupantes sobre a capacidade ofensiva e a recuperação da equipe em campo.

## Ineficiência na Conversão de Gols

Mesmo com pouca posse de bola, o Brasil criou chances que, segundo a métrica de gols esperados (xG), deveriam ter resultado em pelo menos 2,6 gols contra a Noruega. No entanto, a seleção marcou apenas um, um déficit acentuado pela perda de um pênalti por Bruno Guimarães e uma oportunidade clara desperdiçada por Endrick. O xG avalia a probabilidade de um chute se tornar gol com base em fatores como distância do gol, ângulo e presença de defensores.

O padrão de criar boas oportunidades e não convertê-las se repetiu ao longo do torneio. Embora o Brasil estivesse entre as cinco seleções com maior número de gols esperados, na conversão dessas chances, a equipe figurou apenas na 32ª posição entre as 48 seleções participantes. Esse desempenho ineficiente no ataque foi um fator crucial para o resultado.

## Dificuldades na Recuperação e Intensidade Física

Outro ponto crítico foi o tempo de recuperação de bola. Em média, a equipe levou 96,34 segundos para reaver a posse após perdê-la, a pior marca do mundial. Seleções como Gana, Paraguai e República Democrática do Congo, que apresentaram desempenho semelhante nesse quesito, também foram eliminadas precocemente. Em contraste, seleções como França e Espanha demonstraram maior agilidade na recuperação.

A intensidade física também foi um problema. O Brasil registrou uma das menores velocidades médias do torneio (5,88 km/h), posicionando-se em 35º lugar. Uma possível explicação reside na média de idade do elenco (28,6 anos), superior à da edição anterior, com 11 jogadores acima dos 30 anos. Embora a correlação entre idade e menor intensidade física não seja causal direta, outros fatores táticos podem ter contribuído para essa carência.

## Reflexões para o Futuro

A análise sugere que, mesmo sem liderar todas as estatísticas, equipes de sucesso compensam suas deficiências. A Argentina, por exemplo, apesar de figurar entre as mais lentas, contou com o brilho individual de Messi. A ausência de um jogador decisivo no Brasil, somada às dificuldades táticas e físicas, pode ter impedido que a equipe avançasse além das oitavas de final.

A questão que se impõe é qual será o perfil do elenco e a estratégia de Carlo Ancelotti para o ciclo da Copa do Mundo de 2030, visando corrigir essas falhas e otimizar o desempenho da seleção brasileira.