Biógrafo de Pelé: Brasil precisa abandonar vaidade no futebol
Biógrafo de Pelé, Andrew Downie, critica a arrogância do futebol brasileiro e a falta de organização da CBF, defendendo que o país precisa se adaptar às novas realidades táticas e técnicas do esporte.

O jornalista escocês Andrew Downie, conhecido por suas biografias de ícones do futebol brasileiro como Pelé e Sócrates, defende que o Brasil precisa abandonar a autocomplacência e a mentalidade de "superpotência" no esporte. Em entrevista, Downie ressaltou que o país não é mais a referência incontestável que já foi, e que a dependência das cinco estrelas na camisa e do passado glorioso não garante mais vitórias.
## Crítica à mentalidade brasileira
Downie criticou a atitude do jogador Neymar, que após converter um pênalti contra a Noruega, teria gritado "Respeita o Brasil! Cinco estrelas!". Para o biógrafo, essa postura demonstra uma desconexão com a realidade atual do futebol mundial. "O brasileiro precisa aprender que não é mais referência. É preciso parar de se gabar de ser pentacampeão, porque isso não importa para a Noruega, o Japão, a Argentina ou para quem quer que esteja jogando contra o Brasil. Eles não têm mais medo do Brasil", afirmou Downie. Ele argumenta que o "futebol arte", antes um diferencial brasileiro, já não é suficiente para garantir vitórias, pois o nível técnico das seleções está muito mais nivelado. Jogadores como Messi e Olise são citados como exemplos de habilidades individuais que superam os brasileiros em alguns aspectos, e goleiros como Martínez e Courtois são equiparados a Alisson e Ederson.
## Mudanças táticas e instabilidade na CBF
O especialista aponta que o foco no "sistema" e na tática, priorizado por técnicos como Guardiola e Mourinho, tornou-se mais crucial do que a habilidade individual. Ele lamentou a falta de organização institucional no futebol brasileiro, citando a alta rotatividade de dirigentes na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desde o fim da era Ricardo Teixeira. "A CBF é um caos. Não é bem organizada, não tem esses esquemas que necessita para ser séria", declarou. Essa instabilidade, segundo Downie, prejudica o desenvolvimento e a performance da seleção, contrastando com a organização vista em federações como as da França, Espanha e Inglaterra. Apesar de reconhecer o talento dos jogadores brasileiros, evidenciado pelos altos valores de seus contratos na Europa, o biógrafo enfatiza que a demonstração desse talento em campo, sob a confiança do treinador, é o que realmente importa no cenário atual do futebol.