Argentina: Por que seleção de Messi enfrenta rejeição global?
A seleção argentina de futebol enfrenta rejeição global devido a rivalidades, alegações de arbitragem e episódios de racismo, gerando debates sobre identidade e preconceito.

A seleção argentina de futebol, liderada por Lionel Messi, tem enfrentado uma onda de rejeição incomum em competições recentes, como a Copa do Mundo de 2026. Enquanto torcedores de outras nações sul-americanas tradicionalmente apoiam o país vizinho contra adversários europeus, a Argentina se vê isolada, com mapas-múndi circulando nas redes sociais que a posicionam contra o restante do globo. Essa impopularidade se manifesta em debates acalorados online, onde argumentos contra o time argentino ganham força.
No Brasil, a rivalidade futebolística histórica com a Argentina é um fator preponderante. Muitos torcedores brasileiros não desejam ver a seleção albiceleste conquistar seu quarto título mundial, o que a colocaria ainda mais próxima do Brasil em termos de conquistas. Além disso, a possibilidade de a Argentina se tornar a segunda nação a vencer duas Copas consecutivas, algo que apenas Brasil e Itália conseguiram, intensifica o desejo de que ela não atinja esse feito.
## Rejeição e Arbitragem
Fora da América do Sul, a rejeição à Argentina é alimentada por outras razões. Uma das mais recorrentes é a percepção de que a equipe tem sido favorecida pela arbitragem em jogos cruciais. A psicóloga Albertina Ímas, em Buenos Aires, refuta essa ideia, defendendo que o que se vê em campo é a 'essência do time: a garra e a paixão'. Ela também apela para o sentimento de união sul-americana, argumentando que a Argentina representa o continente.
No entanto, outras motivações, mais profundas e complexas, emergem. O estereótipo do argentino considerado arrogante, que se vê como europeu na América Latina, é frequentemente citado. Mais preocupante ainda é a manifestação de discriminação racial no país, um tema sensível que ganhou destaque após recentes episódios envolvendo turistas argentinos no Brasil. Figuras públicas brasileiras, como o escritor Marcelo Rubens Paiva, expressaram desconforto com a situação, embora reforcem o apreço pela cultura argentina, ressalvando as atitudes de 'racistas chatos'.
## Racismo e Omissão
O historiador Douglas Belchior, diretor do Instituto de Referência Negra Peregum, tem destacado em suas redes sociais casos de racismo por parte de torcedores e jogadores argentinos, criticando a omissão de Lionel Messi diante desses atos. Ele ressalta que, embora nem todo argentino seja racista, existe uma escalada de episódios que exigem investigação da FIFA e da Associação do Futebol Argentino. Exemplos incluem cantos ofensivos em comemorações, como a que chamava jogadores franceses de 'Angola', uma referência racista que se popularizou na Copa do Qatar e foi repetida na Copa América.
O advogado Alí Emmanuel Delgado, professor na Universidade de Buenos Aires, considera que a Argentina, assim como outros países, deve ser reconhecida por suas questões racistas. Contudo, ele questiona a validade de usar esse critério para a escolha de torcida, especialmente quando há outros fatores em jogo. A discussão sobre a identidade argentina e sua relação com o continente sul-americano e questões de preconceito continua a moldar a percepção internacional da seleção.