Analista: Brasil pode reeditar futuro sem depender de Neymar
Tim Vickery, especialista em futebol sul-americano, avalia que o Brasil precisa repensar seu futuro sem Neymar, questionando a convocação do craque para a Copa e apontando problemas de organização tática na seleção.

A análise do futebol sul-americano, conduzida pelo jornalista Tim Vickery, sugere que a seleção brasileira pode, e deve, começar a planejar seu futuro sem a dependência de Neymar. Em uma avaliação pós-partida contra a Noruega na Copa do Mundo de 2026, Vickery expressou a opinião de que a equipe brasileira, apesar de alguns lampejos ofensivos que levaram a um pênalti, apresentou problemas defensivos e de articulação evidentes.
Um dos pontos levantados pelo especialista foi a dificuldade da defesa brasileira em cobrir espaços abertos, especialmente com jogadores como Casemiro, que, apesar de suas virtudes, tem limitações em cobrir grandes áreas. Essa fragilidade levou a equipe a se expor mais, com quase todos os jogadores atrás da linha da bola, permitindo à Noruega ditar o ritmo do jogo em alguns momentos. A ausência de Lucas Paquetá também foi apontada como um fator que limitou a capacidade de criação do meio-campo, restringindo o jogo a jogadas mais verticais.
Vickery fez um contraponto com seleções brasileiras do passado, como as de 1970 e 1982, que se destacavam justamente pela força e capacidade de elaboração de seus meio-campistas. Ele observou que, embora o Brasil atual conte com muito talento individual, há uma predominância de atletas com características mais verticais do que de construção de jogadas.
O jornalista foi ainda mais enfático ao questionar a convocação de Neymar para a Copa. Segundo ele, o jogador, vindo de lesão e demonstrando estar fora de forma, não deveria ter sido chamado. Vickery sugere que a decisão pode ter sido influenciada por questões de imagem ou relações públicas, algo que, em sua visão, é difícil de dissociar no futebol brasileiro. Ele argumenta que a entrada de Neymar, em vez de agregar, acabou por prejudicar o time, afastando Vini Jr. e Endrick da área e tornando a equipe mais exposta.
"Neymar já não volta para defender, não tem mais velocidade nem mobilidade. Atuando como centroavante, acabou afastando Vini e Endrick da área, justamente onde eles rendem mais. Com isso, a equipe ficou mais aberta", pontuou Vickery, ressaltando que, mesmo com a marcação de um pênalti no final, o impacto do jogador na dinâmica da equipe foi negativo.
Em suma, a análise de Tim Vickery aponta para a necessidade de uma profunda reflexão sobre a forma como o Brasil joga no meio-campo e sugere que o futuro da seleção pode ser construído com uma nova identidade, menos dependente de um único astro e mais focada na coletividade e na capacidade de articulação.