Professores paulistas seguem em greve e intensificam protestos

Professores da rede estadual de SP mantêm greve há 61 dias e realizam protestos no centro da capital. Categoria pede reajuste de 75% e negociações seguem sem avanços.

Professores paulistas seguem em greve e intensificam protestos

Professores da rede estadual de São Paulo mantêm a greve iniciada em março, completando 61 dias de paralisação sem avanços nas negociações com o governo Geraldo Alckmin (PSDB). Na sexta-feira, 15 de maio de 2015, a categoria realizou uma assembleia e uma passeata que percorreu o centro da capital paulista, com foco em reivindicações por reajuste salarial e melhores condições de trabalho.

## Ato na Avenida Paulista e Faculdade de Direito

A manifestação começou na Avenida Paulista, com concentração no vão livre do Masp, e seguiu em passeata, bloqueando importantes vias como a Brigadeiro Luís Antonio e a 23 de Maio. O grupo tinha como destino a Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, onde esperavam encontrar o governador Geraldo Alckmin, que, segundo a assessoria de imprensa, não possuía agenda no local.

Um pequeno grupo de manifestantes chegou a entrar no prédio da faculdade, onde ocorria uma cerimônia com a presença do prefeito Fernando Haddad (PT). A entrada foi controlada pela instituição, mas não houve registro de tumultos.

## Reivindicações e impasse nas negociações

A principal demanda dos professores é um reajuste salarial de 75%, visando equiparar seus vencimentos aos de outros servidores estaduais com formação superior. O governo, no entanto, ainda não apresentou uma contraproposta formal, o que aumenta a insatisfação da categoria. Segundo o sindicato Apeoesp, o governo sinalizou que apresentará uma proposta apenas em junho, um mês antes da data-base, indicando uma possível extensão da paralisação.

Caso o acordo não seja firmado até lá, a greve atual pode superar a mais longa da história, registrada em 1989, que durou 80 dias.

## Disputa sobre adesão e dias parados

As estimativas sobre o número de participantes no protesto divergem. A Polícia Militar calculou cerca de 1.800 pessoas, enquanto o sindicato apontou a participação de até 40 mil manifestantes. O governo estadual sustenta que a ausência de professores nas salas de aula gira em torno de 5%, afetando a rede de 235 mil docentes. Já o sindicato estima uma adesão de 62%.

Além do impasse salarial, professores e governo disputam na Justiça o pagamento dos dias parados. Uma decisão recente do Tribunal de Justiça deu vitória ao sindicato, impedindo o desconto do ponto.

## Professores municipais também em ato

Paralelamente, um grupo de professores municipais realizou um protesto no Viaduto do Chá, em frente à Prefeitura. Com cerca de 700 pessoas, segundo a PM, o ato ocorreu durante uma reunião entre a administração municipal e representantes do sindicato. A categoria reivindica 25% de reajuste, enquanto a prefeitura ofereceu 10%, proposto para ser escalonado em dois momentos. A proposta foi rejeitada anteriormente e a categoria pressiona por melhorias, embora descarte greve no momento.

Uma nova reunião entre prefeitura e sindicato está prevista para a próxima semana. Os professores municipais também devem participar do Dia Nacional de Luta em 29 de maio.