Professores Paulistas Mantêm Greve e Realizam Novo Protesto em SP
Professores da rede estadual de SP seguem em greve há 61 dias e realizaram novo protesto no centro da capital, reivindicando reajuste salarial e criticando a falta de proposta do governo.

Professores da rede estadual de São Paulo decidiram manter a greve que já dura 61 dias, iniciada em 16 de março. Na tarde desta sexta-feira (15/05/2015), os educadores realizaram uma assembleia e uma passeata que percorreu o centro da capital paulista. O ato visava pressionar o governo por melhores condições e reajuste salarial.
O percurso da manifestação incluiu a Avenida Paulista, Avenida Brigadeiro Luís Antônio e Avenida 23 de Maio, que chegaram a ter o trânsito bloqueado. O grupo seguiu em direção à Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, onde esperavam encontrar o então governador Geraldo Alckmin, que participaria de um evento. Contudo, o governador não compareceu ao local.
A assessoria do governo estadual informou que Alckmin não possuía agenda programada para a noite no Largo São Francisco. Um pequeno grupo de manifestantes chegou a adentrar o prédio da faculdade, onde ocorria uma cerimônia com a presença do prefeito Fernando Haddad. Apesar da entrada com faixas, não houve registros de tumultos significativos.
## Reivindicações e Negociações
A principal reivindicação da categoria é um reajuste salarial de 75%, buscando equiparar os salários dos professores aos de outros servidores estaduais com formação superior. Até o momento, o governo estadual não apresentou uma contraproposta formal. Segundo a Apeoesp, sindicato da categoria, o governo planeja apresentar uma proposta apenas em junho, mês que antecede a data-base da categoria, indicando a possibilidade de a paralisação se estender.
## Números da Greve
As estimativas sobre o número de participantes no protesto desta sexta-feira variam. A Polícia Militar calculou cerca de 1.800 pessoas, enquanto o sindicato apontou a presença de até 40 mil manifestantes. A greve atual já se aproxima da mais longa já registrada na história do estado, que ocorreu em 1989 e durou 80 dias.
O governo estadual tem divulgado que a taxa de ausentismo entre os professores durante a greve se mantém em torno de 5%, de um total de 235 mil professores na rede. O sindicato, por sua vez, contabiliza uma adesão de 62%, embora em abril tenha apontado 75%. Uma disputa judicial também ocorre sobre o pagamento dos dias parados, com o sindicato obtendo uma vitória recente no Tribunal de Justiça contra o desconto do ponto.
## Professores Municipais Também Protestam
Em um ato simultâneo, professores da rede municipal também realizaram um protesto no Viaduto do Chá, em frente à Prefeitura. Cerca de 700 pessoas, segundo a PM, participaram do ato enquanto ocorria uma reunião entre a administração municipal e representantes do sindicato. A categoria reivindica 25% de reajuste, enquanto a prefeitura ofereceu 10% parcelados. A proposta foi rejeitada e uma nova reunião está marcada para a próxima semana. Os professores municipais também devem participar do Dia Nacional de Luta em 29 de maio.