Professores Paulistas Mantêm Greve e Intensificam Protestos em SP

Professores estaduais de SP mantêm greve após 61 dias e realizam novos protestos. Categoria cobra reajuste salarial e critica falta de proposta do governo. Professores municipais também reivindicam aumento.

Professores Paulistas Mantêm Greve e Intensificam Protestos em SP

Professores da rede estadual de São Paulo decidiram manter a greve que já dura 61 dias. Em assembleia realizada na Avenida Paulista, na região central da capital paulista, a categoria reforçou a paralisação iniciada em 16 de março. Os manifestantes realizaram uma passeata com destino à Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, onde acreditavam que o governador Geraldo Alckmin estaria presente para um evento, o que não se confirmou. A assessoria do governo informou que o governador não tinha agenda no local.

## Tensão e Revindicações

Um pequeno grupo de professores chegou a entrar no prédio da faculdade, que teve uma de suas entradas bloqueada pela instituição. A entrada ocorreu durante uma cerimônia com a presença do prefeito Fernando Haddad, mas sem registro de tumultos. Anteriormente, os grevistas tinham como objetivo chegar à Secretaria da Fazenda para exigir o pagamento de salários atrasados. Durante o protesto, avenidas importantes como a Paulista, Brigadeiro Luís Antônio e 23 de Maio chegaram a ter o tráfego bloqueado.

## Negociações Travadas

As negociações entre o sindicato dos professores e o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) não apresentaram avanços significativos durante o período de greve. A principal reivindicação da categoria é um reajuste salarial de 75%, visando equiparar os vencimentos aos de outros servidores estaduais com formação superior. No entanto, o governo ainda não apresentou uma contraproposta formal. Segundo a Apeoesp, sindicato que representa os professores, uma proposta só seria apresentada em junho, próximo à data-base da categoria, indicando a possibilidade de a paralisação se estender.

## Paralisação Histórica e Disputa de Números

Caso o acordo não seja alcançado em breve, a greve atual pode superar a mais longa já registrada na história, que ocorreu em 1989 e durou 80 dias. Estimativas da Polícia Militar indicam a participação de cerca de 1.800 pessoas no protesto desta sexta-feira, enquanto o sindicato aponta para um número de até 40 mil manifestantes. Há divergências significativas sobre o percentual de adesão à greve: o governo Alckmin cita 5% de ausentes, enquanto o sindicato aponta 62% de adesão. A disputa também se estende à esfera judicial, com decisões sobre o pagamento ou não dos dias parados.

## Professores Municipais Também em Luta

Em paralelo, um grupo de professores municipais realizou um protesto no Viaduto do Chá, em frente à prefeitura. Cerca de 700 professores, segundo a PM, reivindicam um reajuste de 25%. A prefeitura ofereceu 10% de aumento no piso salarial a partir de outubro, proposta rejeitada anteriormente. Uma nova reunião entre a prefeitura e o sindicato está marcada para a próxima semana, com a sugestão de um reajuste escalonado (5% em maio e 5% em outubro). A categoria municipal descarta greve no momento, mas manterá a pressão e participará do Dia Nacional de Luta em 29 de maio.