Pimentel critica Richa e fecha acordo com professores de Minas

Governador de Minas Gerais fecha acordo com professores sobre piso nacional e critica repressão a docentes em outros estados.

Pimentel critica Richa e fecha acordo com professores de Minas

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), anunciou nesta sexta-feira (15 de maio de 2015) um acordo histórico com os trabalhadores da educação do estado, garantindo o pagamento do piso nacional da categoria até 2017. A assinatura do termo ocorreu em um momento de forte crítica de Pimentel a outros governadores, especialmente Beto Richa (PSDB), do Paraná, cuja gestão foi marcada pela repressão a protestos de professores.

## Críticas indiretas à gestão tucana

Em coletiva de imprensa após a cerimônia de assinatura, Pimentel comparou a situação em Minas Gerais com a de outros estados onde a categoria docente está em greve e enfrenta repressão. "Ao contrário de outros Estados, onde nós estamos assistindo até espetáculos lamentáveis de agressão aos professores, em Minas nós construímos o diálogo, o consenso", declarou o governador, em clara referência ao episódio no Paraná, onde uma ação policial resultou em quase 200 feridos durante um protesto de professores.

Pimentel enfatizou que em Minas Gerais os professores são tratados com "respeito" e "dignidade", contrastando com a situação em outros estados, incluindo São Paulo, Goiás, Paraná e Santa Catarina, que são governados por partidos de oposição e onde os professores reivindicam o piso nacional. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais, filiado à CUT, já havia liderado greves durante as gestões tucanas anteriores de Aécio Neves e Antonio Anastasia, com a alegação de descumprimento de acordos firmados.

## Impacto financeiro e detalhes do acordo

O acordo firmado com os professores mineiros prevê um reajuste de 31,78% a ser implementado ao longo de dois anos para os docentes da educação básica. Além disso, o pacto inclui o descongelamento das promoções na carreira dos educadores e outros benefícios. O impacto financeiro estimado para os cofres públicos de Minas Gerais é de R$ 13 bilhões. Segundo Pimentel, esse custo será equilibrado por meio de cortes de custeio e a correção de "discrepâncias e erros" na folha de pagamento.

A secretária de Educação do estado, Macaé Evaristo, ressaltou que o impacto financeiro exato ainda não pode ser totalmente dimensionado, pois o acordo prevê ajustes automáticos caso haja alteração no piso nacional. O projeto de lei referente ao acordo foi encaminhado à Assembleia Legislativa de Minas Gerais para aprovação.

## Clima tenso na cerimônia

A cerimônia de assinatura do acordo foi marcada por um breve momento de tensão. Após a fala do governador Pimentel, o microfone foi retirado, o que gerou reclamações por parte dos sindicalistas presentes. Antes mesmo da assinatura do acordo, a categoria já havia demonstrado insatisfação, protestando contra o governador durante a cerimônia do Dia de Tiradentes, em Ouro Preto.

A busca por valorização e melhores condições de trabalho para os professores tem sido um tema recorrente em diversos estados brasileiros. O acordo em Minas Gerais representa um avanço significativo na negociação entre o governo estadual e a categoria, buscando evitar paralisações e garantir direitos, ao mesmo tempo em que o governador utiliza a situação para criticar a condução de assuntos semelhantes em outras unidades da federação.