MEC falha em conectar escolas à internet; meta não será cumprida

A meta de conectar todas as escolas públicas brasileiras à internet até o fim do ano não será cumprida devido à falta de coordenação do MEC e entraves burocráticos. Desigualdades regionais se acentuam.

MEC falha em conectar escolas à internet; meta não será cumprida

A promessa de conectar todas as escolas públicas brasileiras à internet até o final deste ano, feita pelo governo federal, está longe de ser cumprida. Uma análise da Coalizão Tec Educação, formada por cinco entidades da sociedade civil, revela que a falta de coordenação dentro do Ministério da Educação (MEC) e entraves burocráticos estão comprometendo o avanço da infraestrutura digital nas instituições de ensino.

## Avanços Insuficientes e Desigualdades Regionais

Embora tenha havido progresso, a realidade dista do ideal. A proporção de escolas com conexão de internet em velocidade adequada saltou de 49,2% para 74,1% entre 2023 e 2025. No entanto, apenas 39% das escolas possuem a quantidade mínima de computadores recomendada – um para cada dez alunos. Esses números evidenciam que a conectividade ainda é um desafio significativo para uma parcela considerável dos estudantes brasileiros.

A gestão deficiente tem intensificado as desigualdades regionais. Das 73 redes de ensino que atendem metade dos alunos do país, apenas 29 superam 80% de escolas com conexão digital adequada. Estados como Rio Grande do Sul e Mato Grosso, além de capitais como Natal, João Pessoa, Recife, Vitória e Porto Alegre, e municípios como Uberlândia (MG) e Campinas (SP), apresentam melhores índices. Contudo, vastas regiões, incluindo todo o Norte, grande parte do Nordeste e áreas do Sudeste, sofrem com a precariedade do acesso.

## Falta de Planejamento e Impacto a Longo Prazo

O MEC é apontado como o principal responsável pela falta de articulação entre os diferentes níveis de governo (federal, estadual e municipal), o que impede que as 140 mil escolas brasileiras atinjam o nível necessário de acesso às ferramentas digitais. A ausência de infraestrutura adequada e de equipamentos impacta diretamente o futuro dos estudantes, limitando suas chances de sucesso no ensino superior e no mercado de trabalho. Além disso, a qualificação dos professores para o uso pedagógico dessas ferramentas digitais emerge como um ponto crítico a ser abordado.

## Burocracia e Financiamento

Questões burocráticas, especialmente relacionadas ao Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST), têm travado o acesso a fontes de financiamento essenciais. A aprovação do uso do FUST para a conectividade de escolas públicas ocorreu apenas 20 anos após sua criação, demonstrando a lentidão dos processos.

Uma medida positiva mencionada é a inclusão, no leilão do 5G, da obrigatoriedade de levar internet a escolas, especialmente em áreas remotas e rurais, onde o acesso via satélite é a única alternativa. Contudo, a falta de coordenação estratégica e a morosidade na liberação de recursos continuam sendo os principais obstáculos para garantir um ensino de qualidade e equitativo no país.