Escolas Particulares Pedem Flexibilização de Notas Mínimas no FIES
Escolas particulares pedem ao MEC a criação de notas de corte diferentes no FIES para cursos variados, argumentando que a exigência única pode excluir alunos. O setor também quer mais transparência nas mensalidades dos cursos financiados.

Universidades privadas apresentaram uma nova demanda ao Ministério da Educação (MEC) para o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES). A principal reivindicação é a criação de diferentes notas de corte no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para o acesso ao financiamento, variando de acordo com a complexidade e modalidade dos cursos.
A proposta surge em resposta à exigência, implementada a partir de 2015, de uma nota mínima de 450 pontos no Enem para todos os candidatos ao FIES, um critério que antes não existia e que, segundo as instituições privadas, pode estar excluindo estudantes com potencial para cursos menos demandantes.
## Proposta de Diferenciação por Curso
O Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior do Brasil (Semesp) lidera a articulação e planeja apresentar formalmente a sugestão ao MEC. A ideia central é que cursos tecnólogos, por exemplo, que possuem duração e escopo mais curtos, possam ter uma nota de corte inferior àquela exigida para cursos de engenharia ou outras graduações consideradas mais complexas.
Rodrigo Capelato, diretor do Semesp, argumenta que a padronização da nota mínima pode barrar o acesso de alunos que, embora não atinjam a pontuação máxima, seriam aptos a concluir com sucesso formações mais específicas. O sindicato pretende debater internamente quais cursos poderiam se enquadrar em faixas de exigência menores antes de submeter a lista ao ministério.
## Transparência em Mensalidades e Impacto Fiscal
Outra demanda importante do setor privado é que o novo sistema de acesso ao FIES, em desenvolvimento pelo MEC, explicite claramente as mensalidades de cada curso. Atualmente, como o pagamento do financiamento só é efetuado pelos alunos após a conclusão da graduação, Capelato aponta que há uma menor atenção às mensalidades, o que, por sua vez, reduziu a competição por preço entre as instituições.
O aumento das mensalidades impacta tanto o orçamento da União, responsável por cobrir os custos do financiamento, quanto o futuro financeiro dos estudantes, que terão de arcar com valores mais elevados após a formatura. A expectativa é que um sistema online, previsto para a próxima chamada do FIES, permita aos alunos visualizar a disponibilidade de vagas por curso e ter uma noção mais clara dos custos envolvidos.
A discussão sobre as notas de corte e a transparência nas mensalidades reflete um esforço contínuo do setor privado para ajustar o FIES às suas realidades operacionais e, ao mesmo tempo, buscar mecanismos que ampliem o acesso ao ensino superior, mesmo diante de novas exigências governamentais.