Colégio Fluminense Completa 150 Anos Preservando Legado Imperial

Colégio Estadual João Alfredo, fundado por Dom Pedro II em 1875 no Rio de Janeiro, celebra mais de 150 anos como pioneiro na educação profissional pública, combinando ensino e ofícios.

Colégio Fluminense Completa 150 Anos Preservando Legado Imperial

## Um Legado Imperial na Educação Pública Carioca

No coração de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, o Colégio Estadual João Alfredo se ergue como um testemunho vivo de mais de um século e meio de história na educação pública brasileira. Fundada em 14 de março de 1875 por iniciativa do Imperador Dom Pedro II, a instituição, originalmente concebida como Asilo dos Meninos Desvalidos, foi pioneira em aliar o ensino regular à formação profissional, capacitando jovens em diversas áreas décadas antes da formalização das escolas técnicas no país. Sua relevância transcende o tempo, consolidando-se como um patrimônio inestimável da educação fluminense e nacional.

## Origens Inovadoras no Segundo Reinado

A criação do colégio está intrinsecamente ligada às reformas educacionais do Império. Em 1851, o governo imperial propôs a expansão do acesso à educação pública e a oferta de capacitação profissional, especialmente para crianças em situação de vulnerabilidade. O ministro João Alfredo Corrêa de Oliveira, peça-chave nesse projeto, adquiriu em 1873 o terreno na então Rua do Macaco (atual Avenida 28 de Setembro) para abrigar o asilo. A proposta pedagógica, aprovada em 1875, era revolucionária para a época: acolher meninos de seis a doze anos, oferecendo não apenas alfabetização e ensino primário, mas também formação em ofícios como marcenaria, tipografia, alfaiataria e serralheria. A arquitetura do edifício, considerada moderna para o século XIX, contava com sistemas de ventilação natural e espaços dedicados a dormitórios, salas de aula e oficinas, garantindo um ambiente propício ao aprendizado e ao bem-estar dos alunos, que também recebiam assistência médica gratuita.

## Reconhecimento Internacional e Alunos Notáveis

A qualidade do ensino e a excelência dos trabalhos produzidos pelos alunos do Asilo dos Meninos Desvalidos rapidamente o projetaram como referência. As produções da instituição conquistaram medalhas de ouro em exposições internacionais em Paris (1900 e 1904), além de outras premiações e o Grande Prêmio na Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil em 1922. Esses feitos atestavam que a formação oferecida alcançava padrões comparáveis aos de renomadas escolas profissionais europeias. Entre os ex-alunos que se destacaram está João Baptista da Costa, que ingressou como interno, retornou como professor de Desenho e, após vencer a Exposição de Desenho da República em 1898, aperfeiçoou-se na Europa. Tornou-se um renomado paisagista e diretor da Escola Nacional de Belas Artes, sendo considerado o ex-aluno mais ilustre do colégio. O primeiro diretor, o médico Rufino Augusto de Almeida, também foi fundamental na organização inicial e implementação do projeto educacional.

## Um Patrimônio Vivo na Educação Carioca

Em 1910, a instituição foi renomeada para Instituto Profissional João Alfredo, em homenagem ao ministro idealizador. Ao longo das décadas, acompanhou as transformações da educação pública brasileira, culminando em sua configuração atual como Colégio Estadual João Alfredo. Hoje, parte do histórico edifício abriga o Instituto de Geriatria e Gerontologia, enquanto a escola mantém suas atividades pedagógicas no endereço original, perpetuando uma tradição que atravessa gerações e contribui significativamente para a formação de cidadãos e profissionais no Rio de Janeiro e para o Brasil.