Celular é mais democrático que biblioteca, diz Ministro da Educação
Ministro da Educação defende uso do celular para leitura via plataforma MEC Livros, enquanto enfrenta desafios no ensino integral e na compra de livros didáticos.

O Ministério da Educação (MEC) está apostando no celular como ferramenta para incentivar a leitura entre os estudantes brasileiros. A iniciativa, liderada pelo ministro Leonardo Barchini, visa transformar o aparelho, frequentemente associado à distração, em um portal para o universo dos livros. Essa estratégia surge em um contexto global onde alguns sistemas educacionais revisitam o uso de tecnologia em favor de métodos tradicionais, como livros físicos e escrita manual, após observarem impactos negativos na aprendizagem.
## MEC Livros: Aposta Digital
Durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Barchini declarou que "o celular hoje é mais democrático do que uma biblioteca". Ele argumenta que o objetivo é redirecionar os jovens do consumo de conteúdo em redes sociais para uma plataforma digital com material educativo e de qualidade. A plataforma MEC Livros, lançada há pouco mais de três meses, já alcançou a marca de 1 milhão de usuários. O catálogo, que inicialmente previa 8.000 títulos, expandiu-se para aproximadamente 25.000 obras. O ministro informou que o orçamento destinado à plataforma, que era de R$ 5 milhões, deve ser dobrado para acomodar seu crescimento.
## Desafios na Educação Integral e Livros Didáticos
A expansão da biblioteca digital ocorre em paralelo a outros desafios enfrentados pelo MEC. Um estudo recente apontou uma queda inesperada no desempenho das escolas públicas de ensino médio em tempo integral no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Barchini atribui essa variação a um processo natural de expansão, onde a inclusão de escolas em regiões periféricas, com diferentes infraestruturas e professores, pode impactar temporariamente a proficiência média. Os próximos resultados do Ideb, previstos para 5 de agosto, deverão esclarecer essa tendência.
Outra frente de preocupação é o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), uma das maiores políticas de aquisição de livros do mundo. Restrições orçamentárias no ano passado comprometeram a compra de cerca de 240 milhões de exemplares previstos para 2026. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) iniciou a compra apenas de materiais de língua portuguesa e matemática para os anos iniciais do ensino fundamental, condicionando a aquisição de outras disciplinas à liberação de mais recursos. Apesar dos desafios, o ministro projeta que não haverá atrasos no fornecimento de livros didáticos no próximo ano.