Yellen: IA ainda não gera ganhos de produtividade visíveis

Janet Yellen, ex-líder do Fed e Tesouro dos EUA, afirma que a inteligência artificial ainda não demonstra ganhos de produtividade que justifiquem flexibilização monetária, contrastando com a revolução da internet nos anos 90.

Yellen: IA ainda não gera ganhos de produtividade visíveis

Janet Yellen, figura proeminente na economia americana e ex-líder do Federal Reserve (Fed) e do Tesouro dos EUA, afirmou que não há evidências concretas de que o avanço da inteligência artificial (IA) esteja gerando um aumento significativo na produtividade capaz de impactar a economia dos Estados Unidos no curto prazo. Segundo Yellen, essa melhoria na produtividade agregada não está sendo observada, nem pressões desinflacionárias decorrentes dela.

## IA vs. Internet: Um Contraste Histórico

Yellen traçou um paralelo com os anos 1990, período em que a expansão da internet começou a impulsionar ganhos de produtividade notáveis. Ela relembrou uma reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) em 1996, onde Alan Greenspan, então presidente do Fed, optou por não elevar as taxas de juros, apostando na expectativa de crescimento impulsionado pela nova tecnologia. Naquela ocasião, a decisão de Greenspan se mostrou acertada, culminando em queda do desemprego e inflação controlada, mesmo com o avanço da produtividade.

## Investimentos em IA e Impactos Atuais

Em contrapartida, a economista destacou que os investimentos atuais em IA, embora expressivos, estão concentrados em setores como semicondutores e eletricidade, elevando seus preços. Além disso, o mercado de trabalho americano permanece aquecido e os gastos de consumo estão em expansão, impulsionados pela expectativa de lucros futuros. Yellen ponderou que, embora a IA não justifique uma redução imediata nas taxas de juros pelo Fomc, essa realidade pode mudar em médio prazo, nos próximos anos.

O debate ocorreu durante um painel sobre as perspectivas econômicas dos EUA e globais, mediado pelo economista-chefe da XP, Caio Megale. A fala de Yellen ressalta a cautela em relação aos efeitos imediatos da IA na produtividade e sua influência na política monetária americana, contrastando com o otimismo visto na era inicial da internet.