Volks anuncia queda nas vendas globais e enfrenta revolta sindical

Volkswagen anuncia queda de 8,6% nas vendas globais no 2º trimestre, com China em forte retração. Plano de cortes e fechamento de fábricas enfrenta resistência dos sindicatos.

Volks anuncia queda nas vendas globais e enfrenta revolta sindical

A gigante automotiva alemã Volkswagen registrou uma queda significativa em suas vendas globais no segundo trimestre deste ano, com um recuo de 8,6% em relação ao mesmo período de 2023. No total, o grupo comercializou 2,077 milhões de veículos entre abril e junho, somando-se a uma retração de 4% já observada no primeiro trimestre. O principal motor dessa desaceleração foi a China, mercado mais importante para a Volks, onde as entregas despencaram 36%.

Apesar do cenário negativo na Ásia, a montadora apresentou resultados positivos em outras regiões, com um aumento de 1,8% nas vendas na Europa Ocidental e de 7,7% na América do Norte. No acumulado do primeiro semestre, as vendas globais caíram 6,3%, totalizando 4,13 milhões de unidades.

## Plano de Reestruturação e Resistência Sindical

Em meio à crise de desempenho, o presidente do conselho de administração da Volkswagen, Oliver Blume, apresentou um plano de reorganização chamado “Group Target Picture”. O projeto, que visa aumentar a agilidade, resiliência e competitividade da empresa, incluía medidas drásticas como o fechamento de quatro fábricas na Alemanha e a demissão de até 50 mil funcionários globalmente, além da redução de até metade do portfólio de modelos.

No entanto, o plano enfrentou forte resistência. Durante uma reunião do conselho de supervisão, órgão de controle da empresa, Blume não obteve maioria para aprovar suas propostas. Representantes dos trabalhadores e sindicatos, que ocupam metade das cadeiras do conselho, demonstraram forte oposição às medidas, considerando-as irresponsáveis diante do futuro dos empregados.

Daniela Cavallo, principal representante dos trabalhadores, declarou que a situação havia chegado ao limite e deu um ultimato para que Blume se pronunciasse até sexta-feira, sob pena de enfrentar assembleias extraordinárias após o recesso de verão. O sindicato IG Metall, o maior da Alemanha, também organizou protestos em diversas cidades, criticando as decisões da administração na transição para veículos elétricos e de software.

## Contexto Econômico e Pressão por Competitividade

As pressões sobre a Volkswagen se intensificam em um cenário de lucros decrescentes, especialmente em seu maior mercado. Os executivos da montadora argumentam que as medidas propostas são necessárias para aumentar a competitividade, focando especialmente nas operações na Alemanha, onde os custos de energia e mão de obra são mais elevados. A empresa afirmou que a administração e o conselho de supervisão compartilham as preocupações com o futuro e que o plano visa tornar o grupo mais eficiente.

Autoridades do estado da Baixa Saxônia, um acionista significativo da Volkswagen, estariam abertas a novas utilizações para as fábricas, incluindo o setor de defesa, segundo informações da revista Wirtschaftswoche. Contudo, quaisquer decisões sobre cortes e fechamentos de unidades precisam da aprovação do conselho de supervisão, onde a força sindical representa um obstáculo considerável para os planos de Oliver Blume.