Vinho Raro de Henri Jayer Alcança Valor Milionário em Leilão
Garrafa Magnum de Vosne-Romanée Cros Parantoux 1978, de Henri Jayer, é vendida em leilão da Sotheby's. O vinho, conhecido por sua raridade e pela história do produtor, alcançou valor milionário.

Uma garrafa Magnum de Vosne-Romanée Cros Parantoux 1978, produzida pelo lendário Henri Jayer, alcançou um valor expressivo em um leilão da renomada casa britânica Sotheby's. O encerramento do pregão, em 29 de junho, às 11h06 (horário de Londres), marcou a transação de um lote que já chamava atenção pela sua raridade e pela história por trás de seu criador.
A descrição detalhada do catálogo da Sotheby's ressaltava a autenticidade da garrafa. O nível do líquido se encontrava a 4,3 centímetros abaixo da base da rolha, e a etiqueta apresentava leves danos. Um detalhe peculiar, porém, era a cápsula: ela foi "cortada e rasgada durante o processo de autenticação para revelar uma rolha marcada com a safra, mantida no lugar com fita adesiva transparente". Essa intervenção visava garantir a veracidade da origem e da safra, elementos cruciais para colecionadores.
A estimativa inicial para a garrafa variava entre 40 mil e 55 mil libras, o equivalente a R$ 300 mil e R$ 400 mil. O valor exato do lance vencedor e se houve grande disputa pela peça não foram divulgados publicamente no site da casa de leilões, que exige conta de usuário para participação.
## A Trajetória de um Vinho Icônico
Esta garrafa em particular possui uma biografia notável. Anteriormente, esteve em leilão em Hong Kong em junho de 2018, passou pela adega de um colecionador privado, foi revendida na mesma cidade em outubro de 2021 e teve sua autenticidade confirmada em abril de 2025, antes de reaparecer neste leilão. Para contextualizar o valor, em novembro de 2024, dez garrafas do mesmo vinho, mas da safra 1999 e provenientes da adega do mesmo colecionador, foram vendidas por um total de 219.160 euros, ultrapassando um milhão de reais.
Henri Jayer, falecido em 20 de setembro de 2006 na Borgonha, é considerado uma figura fundamental na redefinição da identidade moderna da região. Ele rompeu com a lógica de produção em larga escala do pós-guerra, priorizando rendimentos mínimos por videira e a exclusão de fertilizantes sintéticos. Sua profunda conexão com a terra se manifestou em Cros Parantoux, um vinhedo de apenas 1,01 hectare, pedregoso e outrora negligenciado, que hoje figura entre os mais valorizados do mundo.
## O Fenômeno da Escassez e o "Efeito Morte"
O falecimento de produtores de vinhos renomados como Henri Jayer, Noël Verset e Didier Dagueneau, cujas histórias de dedicação e métodos tradicionais são detalhadas na matéria original, levanta um debate sobre a precificação de suas safras remanescentes. A escassez de exemplares, aliada à impossibilidade de novas produções, impulsiona os valores no mercado de colecionismo.
Estudos econômicos sobre o "efeito morte" em obras de arte sugerem que os preços tendem a subir nos anos que antecedem o falecimento de um artista e podem cair no ano da morte, um fenômeno batizado de "aposta num funeral iminente". No universo do vinho, a escassez é um fator determinante, mas a finitude do produto ao ser consumido adiciona uma camada extra de complexidade à equação de valor, diferentemente de uma obra de arte que permanece.
A garrafa de Vosne-Romanée Cros Parantoux 1978 em leilão representa não apenas um vinho, mas um legado. A história de Henri Jayer, sua inovação e a raridade de suas safras, continuam a fascinar colecionadores e a justificar valores estratosféricos, transformando garrafas em verdadeiros ícones do mercado de luxo.