Trigo sobe em Chicago com tensões globais e oferta restrita no Brasil
Preços do trigo sobem em Chicago devido a tensões geopolíticas globais e oferta restrita no Brasil durante a entressafra. Milho e soja também registram altas no mercado internacional.

Os contratos futuros de trigo negociados na Bolsa de Chicago apresentaram alta, com o vencimento em setembro fechando a sessão a US$ 6,82 por bushel, um avanço de 1,19%. A valorização foi impulsionada pelo aumento das preocupações geopolíticas em regiões estratégicas como o Oriente Médio e o Mar Negro. Esses fatores, que tradicionalmente influenciam os mercados de energia, também têm impacto direto no comportamento das commodities agrícolas.
## Mercado Brasileiro de Trigo
No contexto nacional, a semana foi caracterizada por um ritmo de negociações lento, um cenário comum durante o período de entressafra. A oferta de trigo disponível no mercado brasileiro encontra-se limitada, especialmente para produtos de melhor qualidade. Analistas apontam que o estoque remanescente é restrito, o que dificulta a aquisição por parte dos moinhos. Estes, por sua vez, demonstram cautela na compra de grandes volumes, enfrentando desafios para repassar o aumento dos custos da matéria-prima aos preços da farinha. A consequência direta é uma baixa liquidez no mercado interno, com os agentes econômicos atentos ao desenrolar do cenário internacional e ao desenvolvimento da nova safra nacional.
## Outras Commodities Agrícolas
O milho também registrou valorização em Chicago, com o contrato futuro de dezembro encerrando a sessão com alta de 0,75%, a US$ 4,67 por bushel. O avanço foi, em parte, reflexo da forte valorização do petróleo, que impulsionou o trigo e gerou um efeito de contágio positivo para o milho. No cenário internacional, as condições climáticas na Europa preocupam, com temperaturas elevadas na França deteriorando a qualidade das lavouras. No Brasil, a projeção para a safra 2025/26 indica um aumento de 3,3%, consolidando o país como o terceiro maior produtor mundial. A soja, por sua vez, também apresentou ganhos, impulsionada por anúncios de vendas para exportação feitos pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), incluindo uma compra significativa da China. O Brasil, por sua vez, projeta uma safra recorde para a temporada 2025/26, com o plantio da safra seguinte previsto para setembro e outubro.