Tesouro Direto: Patrimônio Salta 47% e Atrai Mais Brasileiros
Patrimônio em Tesouro Direto cresce 47% no 1º tri de 2026, atingindo R$ 221,2 bi. Base de investidores sobe 13% e ETFs avançam 72%.

O montante investido por pessoas físicas no Tesouro Direto alcançou a marca expressiva de R$ 221,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026, representando um aumento de 47% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados, divulgados pela B3, a bolsa de valores brasileira, indicam um cenário de forte expansão e consolidação dos títulos públicos como opção de investimento no país.
## Diversificação e Acesso Impulsionam Crescimento
O expressivo aumento do patrimônio no Tesouro Direto reflete não apenas a atração de novos investidores, mas também uma maior diversificação das carteiras. Enquanto a renda variável registrou um aumento de 25% no patrimônio custodiado, a renda fixa apresentou alta de 19%. Paralelamente, a base de investidores em geral também apresentou crescimento.
Na renda variável, o número de pessoas físicas saltou 6% em um ano, atingindo 5,6 milhões. No Tesouro Direto, o crescimento foi ainda mais acentuado, com um aumento de 13% no número de investidores, totalizando 3,3 milhões. A renda fixa como um todo somou 104,8 milhões de investidores, um avanço de 9%.
## ETFs Ganham Espaço e Ampliam Opções
Os fundos de índice, conhecidos como ETFs (Exchange Traded Funds), despontaram como um dos produtos com maior avanço no período. O número de investidores pessoa física em ETFs cresceu 35% em um ano, chegando a 823,4 mil. O patrimônio aplicado nesses fundos aumentou impressionantes 72%, totalizando R$ 31,1 bilhões. Atualmente, as pessoas físicas respondem por mais de um quarto do patrimônio total investido em ETFs na B3.
Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da B3, destaca a tendência de consolidação de novos produtos no mercado brasileiro, espelhando movimentos internacionais. "Os números da evolução dos investidores desse período ratificam que estamos passando pelo ponto de inflexão de crescimento do ETFs, o que contribui para uma maior diversificação das carteiras", afirmou Paiva.
## Expansão para Todas as Regiões do Brasil
Os dados da B3 também revelam uma significativa expansão do acesso ao Tesouro Direto para além dos grandes centros financeiros. Entre 2020 e 2025, o número de investidores da modalidade cresceu 83% na Região Norte e 85% na Região Nordeste, demonstrando um alcance cada vez maior do produto em todo o território nacional.
O mercado de ações, por sua vez, contabilizou 4 milhões de investidores pessoa física, com R$ 435,6 bilhões em patrimônio custodiado, um aumento de 19% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Fundos listados reuniram 3,3 milhões de investidores e R$ 204 bilhões em custódia, com avanço de 31%.
## Aumento do Saldo Mediano e Preferência por Títulos Atrelados
O levantamento apontou ainda um aumento de 37% no saldo mediano dos investidores no Tesouro Direto, que passou de cerca de R$ 2 mil para R$ 2,8 mil em um ano. Títulos como o Tesouro Selic e o Tesouro IPCA+, que acompanham a taxa básica de juros e a inflação, respectivamente, concentram mais de 70% do estoque em custódia, indicando a preferência dos investidores por opções atreladas a indicadores econômicos.
Em maio, a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e a B3 lançaram o Tesouro Reserva, um novo título com aplicação mínima de R$ 1 e negociação diária, buscando democratizar ainda mais o acesso aos investimentos em títulos públicos.