Tensões EUA-Irã derrubam Ibovespa e fortalecem dólar no Brasil

Tensões entre EUA e Irã levam Ibovespa a zerar alta do mês e dólar a subir no Brasil. Ações da Petrobras amenizam queda da bolsa, enquanto juros nos EUA e eleições presidenciais geram cautela.

Tensões EUA-Irã derrubam Ibovespa e fortalecem dólar no Brasil

O retorno das tensões entre Estados Unidos e Irã provocou instabilidade nos mercados financeiros brasileiros nesta terça-feira (7). O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, zerou a alta do mês de julho, fechando em queda de 0,25%, aos 172.020,68 pontos. Já o dólar comercial encerrou o pregão em alta de 0,39%, cotado a R$ 5,1522.

As tensões geopolíticas foram desencadeadas por relatos de ataques atribuídos ao Irã contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz, mesmo com Teerã mantendo negociações com os EUA. A situação se agravou com a revogação, pelo Departamento do Tesouro americano, da autorização para produção, distribuição e venda de petróleo e produtos petroquímicos originários do Irã. Essa medida fez com que os contratos futuros de petróleo Brent e WTI saltassem mais de 5% no pregão eletrônico.

No Ibovespa, a valorização das ações da Petrobras (ON: +2,65%; PN: +1,77%), impulsionada pelo aumento do preço do petróleo, ajudou a suavizar o recuo geral. O índice chegou a cair 0,58% na mínima do dia, mas recuperou parte das perdas, finalizando o pregão com uma queda de 0,25%. A bolsa brasileira cedeu menos que índices americanos como o Nasdaq e o S&P 500, refletindo a força relativa das ações da estatal brasileira.

Do lado do dólar, a aversão ao risco global impulsionou a moeda americana ante o real. O índice DXY, que mede a força do dólar contra seis moedas fortes, avançava 0,21% no fechamento do mercado local. O real devolveu parte dos ganhos da véspera, quando apresentou o melhor desempenho entre as 33 moedas mais líquidas acompanhadas pelo Valor.

Em segundo plano, investidores acompanharam declarações do candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, em audiência promovida pelo USTR sobre práticas comerciais do Brasil. Gestores de renda variável consideram o efeito dessas declarações mais político do que econômico, com as eleições presidenciais se aproximando. Segundo o Diário do Grande ABC, Flávio Bolsonaro defendeu mais tempo de negociação para evitar novas tarifas americanas, argumentando que a taxação seria prejudicial às vésperas da eleição. Especialistas, no entanto, comentaram a curiosidade de tal argumento, uma vez que seu irmão, Eduardo Bolsonaro, já havia se vangloriado de influenciar decisões políticas do governo americano.

O cenário de maior aversão ao risco também impactou a política monetária. Apesar da queda do IGP-DI em junho ter ficado abaixo das expectativas, o dia foi de abertura para a curva de juros, reflexo da incerteza global. A ata do Federal Reserve (Fed) nos EUA, esperada para quarta-feira, também está no radar dos investidores.

Analistas de renda fixa observam que o aumento no preço do petróleo pode pressionar a inflação americana, exigindo uma política monetária mais apertada do Fed, com possibilidade de aumento de juros. Isso tende a pesar contra o real, diminuindo o diferencial de juros em relação aos EUA, especialmente em um momento de flexibilização da taxa Selic no Brasil.

Embora o cenário externo esteja mais adverso, alguns bancos como o Deutsche Bank mantêm um viés positivo para o real no curto prazo, citando o carrego de juros e uma balança comercial favorável. No entanto, os riscos de médio prazo aumentam com a proximidade das eleições presidenciais de outubro.