Tensão EUA-Irã eleva dólar a R$ 5,15 e derruba Bolsa

Dólar sobe para R$ 5,15 e Bolsa cai com tensão EUA-Irã. Ataques no Estreito de Ormuz elevam petróleo e geram cautela global.

Tensão EUA-Irã eleva dólar a R$ 5,15 e derruba Bolsa

O dólar comercial fechou em alta de 0,39% nesta terça-feira (7), cotado a R$ 5,1522, impulsionado pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. O mercado financeiro reagiu a mísseis que atingiram navios comerciais e um petroleiro no Estreito de Ormuz, e à subsequente revogação, por parte de Washington, da licença que autorizava a venda de petróleo iraniano.

## Mercado reage com cautela

A piora na percepção de risco geopolítico levou investidores a buscar a segurança do dólar, fortalecendo a moeda americana no exterior e penalizando o real e outras moedas de economias emergentes. O índice DXY, que mede a força do dólar contra seis moedas fortes, avançava 0,21%. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, acompanhou o movimento de aversão ao risco e recuou 0,25%, fechando aos 172.021 pontos.

## Impacto no petróleo e juros

O conflito no Oriente Médio elevou os preços do petróleo Brent em 4,32%, a US$ 75,10, e o WTI em 4,27%, a US$ 71,48. A alta da commodity acende um alerta sobre a inflação nos Estados Unidos, o que pode levar o Federal Reserve (Fed) a adotar uma política monetária mais apertada, com possíveis novas altas nos juros. Investidores aguardam a ata da última reunião de juros do FOMC, que será divulgada nesta quarta-feira (8), em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária americana.

## Perspectivas para o Real

Apesar da alta diária, o dólar acumula queda de 0,31% na semana e 0,21% no mês. O real devolveu parte dos ganhos da véspera, quando registrou o melhor desempenho entre as moedas mais líquidas. Analistas apontam que o diferencial de juros entre Brasil e EUA, além de uma balança comercial favorável, podem sustentar a moeda brasileira no curto prazo. Contudo, a proximidade das eleições presidenciais brasileiras em outubro eleva os riscos de médio prazo, com potencial aumento do prêmio de risco fiscal e político.

## Indicadores econômicos aguardados

No cenário doméstico, o mercado aguarda a divulgação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de junho, prevista para sexta-feira (10), que trará mais um termômetro da inflação no Brasil. A tensão geopolítica global, somada à espera por dados econômicos importantes, mantém os investidores em compasso de espera.