Tensão EUA-Irã e Ata do Fed Agitam Mercados Globais e Brasileiros

Mercados globais e brasileiros reagem à ata do Fed e escalada de tensões EUA-Irã, que elevam o preço do petróleo e pressionam o dólar.

Tensão EUA-Irã e Ata do Fed Agitam Mercados Globais e Brasileiros

Os mercados financeiros globais e brasileiros operam sob forte influência de dois eventos cruciais nesta quarta-feira (8): a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos e a escalada das tensões geopolíticas entre EUA e Irã.

## Ata do Fed em Foco

A ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) é aguardada com expectativa por investidores que buscam mais detalhes sobre a decisão do Fed de manter a taxa de juros americana inalterada, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. O documento deve fornecer insights sobre a avaliação do Fed acerca do balanço entre inflação e mercado de trabalho, além de possíveis ajustes na comunicação da política monetária, especialmente com a presença de Kevin Warsh no board.

## Conflito EUA-Irã Impacta Petróleo e Câmbio

No cenário internacional, a disparada do preço do petróleo domina as atenções. Os Estados Unidos realizaram uma série de ataques contra o Irã na noite de terça-feira, em retaliação a ataques iranianos contra três navios mercantes no Estreito de Ormuz. O Comando Central dos EUA confirmou a ofensiva, que visa responder às ações iranianas contra embarcações comerciais. Um navio-tanque de GNL do Catar e um navio-tanque de petróleo bruto da Arábia Saudita foram atingidos, aumentando o risco de explosão e danos.

Essa escalada de conflito levou a Casa Branca a revogar uma licença concedida ao Irã para venda de petróleo, numa tentativa de conter a crise. A notícia impactou diretamente os preços do petróleo, com o Brent fechando em alta de 3,01%, a US$ 74,16, após chegar a avançar mais de 5% no pregão eletrônico. Essa alta no petróleo pode gerar pressões inflacionárias e influenciar as expectativas de aperto monetário nos EUA.

## Repercussão no Brasil

No Brasil, a tensão internacional reflete-se no mercado de câmbio. O dólar à vista encerrou a terça-feira (7) em alta de 0,41%, a R$ 5,1528, após atingir a máxima de R$ 5,1637. Apesar de recuar 0,20% nos primeiros cinco pregões de julho, a moeda americana acumula alta de 2,38% em junho e perdas de 6,12% no ano. Operadores observam que o ambiente global de dólar mais forte e a perspectiva de alta dos juros nos EUA pesam sobre as divisas emergentes.

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em queda de 0,25% na terça-feira, a 172.020,68 pontos, pressionado principalmente pelas ações da Vale. As ações da Petrobras, por outro lado, ajudaram a amortecer o declínio, beneficiadas pela alta do petróleo no exterior.

## Agenda Doméstica e Outros Destaques

A agenda doméstica desta quarta-feira inclui a publicação do IPC-S pela FGV, dados do fluxo cambial semanal do Banco Central e do Índice Commodities Brasil (IC-Br) referentes a junho. A Receita Federal também disponibilizou nesta quarta a consulta ao lote especial de "cashback" do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), com pagamentos previstos para 15 de julho de 2026.

Na agenda presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reuniões agendadas com o vice-presidente Geraldo Alckmin, a secretária-geral da FLACSO e com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

## Airbnb em São Paulo

Em outro destaque, um estudo da FGV encomendado pelo Airbnb revelou que o estado de São Paulo concentrou cerca de R$ 34 bilhões da atividade da plataforma em 2025, um crescimento de mais de 9% em relação ao ano anterior. A capital paulista registrou alta de mais de 16%.