Tensão EUA-Irã adia fim de subsídio da gasolina no Brasil
Tensões EUA-Irã elevam preço do petróleo e levam governo brasileiro a considerar adiar fim do subsídio da gasolina. Dólar reage e sobe no mercado.

A escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio pode levar o governo brasileiro a adiar o fim do subsídio à gasolina, previsto para esta semana. A decisão, segundo fontes próximas ao tema, depende da evolução do preço do petróleo no mercado internacional, que voltou a subir com as ofensivas no Oriente Médio.
O preço do barril de petróleo, que se aproximava de US$ 60, saltou para perto de US$ 80 após a confirmação de novos ataques e a ameaça iraniana de fechar o Estreito de Ormuz. Essa instabilidade geopolítica impacta diretamente a economia global e, consequentemente, o mercado de combustíveis.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia anunciado a reversão do subsídio da gasolina, de R$ 0,44 por litro, ainda nesta semana. No entanto, a nova conjuntura internacional pode forçar o governo a repensar essa medida. Caso o petróleo continue em patamares elevados, o subsídio ao diesel também poderá sofrer novos ajustes.
A Petrobras já recebeu R$ 4,7 bilhões para subsidiar a venda de diesel no mercado interno, buscando mitigar a volatilidade dos preços internacionais. Atualmente, o subsídio ao diesel foi reduzido em R$ 0,35, mas ainda permanece em R$ 1,12 por litro.
## Impacto no Mercado Financeiro
A piora na percepção de risco geopolítico também afetou o mercado financeiro brasileiro. O dólar acentuou o ritmo de alta, alinhado ao comportamento da moeda americana no exterior. A divisa americana encerrou a terça-feira (7) em alta de 0,41%, cotada a R$ 5,1528, após atingir a máxima de R$ 5,1637.
Analistas apontam que a perspectiva de alta dos juros nos Estados Unidos, somada à instabilidade no Oriente Médio, pesa sobre as moedas emergentes. O economista Fabrizio Velloni destaca que um ambiente global de dólar mais forte pode levar a apostas em aperto monetário nos EUA, caso a inflação não ceda.
A revogação, pelos Estados Unidos, da licença para venda de petróleo iraniano foi um dos gatilhos para o aumento das tensões e a consequente alta do petróleo Brent, que chegou a avançar mais de 5% no pregão eletrônico. A expectativa é que a Petrobras também precise reavaliar seus preços de gasolina diante desse cenário.