Taxas de DIs Recuam Com Queda do Petróleo e Treasuries
Taxas de DIs caem mais de 20 pontos-base em dia de ajuste no mercado financeiro, influenciadas pela queda do petróleo e dos Treasuries. Banco Central monitora inflação.

As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) registraram perdas superiores a 20 pontos-base em diversos vencimentos ao final da sexta-feira, refletindo um movimento de ajuste após os avanços do dia anterior. A desvalorização acompanhou a queda nos rendimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro americano) no mercado internacional e também o recuo nos preços do petróleo. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, comentou sobre a situação em São Paulo, afirmando que a instituição monitora os desdobramentos da recente aceleração nos preços do petróleo e seu impacto na inflação brasileira. Ele reiterou que o Brasil possui uma posição favorável por ser um exportador líquido de petróleo.
## Ajustes no Mercado Financeiro
No fechamento da sessão, a taxa do DI para janeiro de 2028 encerrou em 14,145%, uma queda de 24 pontos-base em relação ao dia anterior. Na curva mais longa, o DI com vencimento em janeiro de 2035 apresentou baixa de 17 pontos-base, fechando em 14,67%. Apesar do recuo diário, a taxa do DI para janeiro de 2028 acumulou uma alta de 4 pontos-base na semana, enquanto o DI para janeiro de 2035 registrou elevação de 8 pontos-base no mesmo período.
## Cenário Internacional e Impactos
A sexta-feira foi marcada pela queda nos rendimentos dos Treasuries e do petróleo, após avanços significativos na véspera. Investidores mantiveram atenção aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Informações sobre o Irã intensificando o apoio aos houthis no Mar Vermelho e os ataques dos EUA ao Irã contribuíram para a volatilidade. Paralelamente, notícias sobre negociações diplomáticas entre EUA e Irã, mediadas pela China, também influenciaram o mercado. O governo americano impôs tarifas de 10% a 12,5% sobre produtos de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil, sob alegação de fiscalização frouxa de proibições de trabalho forçado. O Brasil, especificamente, enfrentará uma taxa de 12,5%, somada a uma tarifa anterior de 25% sobre outros produtos.
## Perspectivas e Preocupações Futuras
Mesmo com a redução nos preços do petróleo e nos rendimentos dos Treasuries no dia, a escalada recente dos preços do barril e suas potenciais consequências inflacionárias continuam sendo uma das maiores preocupações para os bancos centrais globais. Na próxima semana, o Federal Reserve dos EUA definirá sua taxa de juros, e em seguida, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil anunciará a nova taxa Selic. Projeções indicam uma probabilidade considerável de corte na Selic em agosto. Galípolo avaliou que a economia e o mercado de trabalho brasileiros demonstram resiliência, mas o cenário atual, com expectativas de inflação desancoradas, ainda demanda juros em patamar restritivo por mais tempo. Ele também destacou a complexidade em distinguir os efeitos da oferta sobre a inflação e a resiliência da atividade econômica.