Tarifas nos EUA: Brasil arrisca desvantagem em exportações
Brasil pode sofrer com tarifas americanas de até 37,5% em 30% das exportações, alertam especialistas, prejudicando competitividade global.

O Brasil corre o risco de ficar em uma posição comercial desfavorável frente a seus concorrentes globais devido à imposição de novas tarifas, conforme alerta Lucas Ferraz, ex-secretário de Comércio Exterior. Em entrevista, Ferraz explicou que as medidas americanas, que podem taxar até 30% das exportações brasileiras em 37,5%, representam uma tentativa de contornar decisões judiciais anteriores que limitavam a aplicação de tarifas.
Ferraz detalhou que, após a Suprema Corte dos EUA ter restringido a capacidade de Donald Trump de impor tarifas livremente, o governo tem recorrido a outros dispositivos legais. A Seção 301 da lei comercial americana e a Seção 1-2-2 estão sendo utilizadas para justificar as novas taxações. Uma investigação relacionada a importações de produtos feitos por trabalho forçado, que pode adicionar 12,5% de imposto, soma-se a outras tarifas já em vigor ou com vencimento próximo.
## Acúmulo de Tarifas Preocupa
O especialista destacou que o prazo final de 15 de julho é crucial, pois coincide com a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Somado a outras taxações, o montante pode chegar a 37,5% sobre uma parcela significativa das exportações. Essa escalada tarifária, caso confirmada, colocaria o Brasil em desvantagem clara em relação a blocos como a União Europeia e países asiáticos, que devem enfrentar impostos menores.
"O Brasil, de novo, fica mal na fita relativamente aos seus competidores internacionais", afirmou Ferraz, ressaltando que o problema não é apenas o valor absoluto das tarifas, mas a comparação com outros parceiros comerciais. A expectativa é que, enquanto o Brasil lida com altas taxações, seus concorrentes diretos sofram menos impacto, comprometendo a competitividade brasileira no mercado internacional.
## Implicações para a Economia Brasileira
A situação é particularmente preocupante pois afeta um volume considerável do comércio exterior do país. A perda de competitividade pode resultar na diminuição do volume exportado, na perda de contratos e na redução da receita cambial, impactando negativamente a balança comercial e a economia como um todo. A análise do ex-secretário sugere um cenário complexo que demandará estratégicas de negociação e adaptação por parte do governo e das empresas brasileiras para mitigar os efeitos adversos.
O governo brasileiro já se manifestou sobre o tema, indicando que os Estados Unidos não teriam base legal para impor tais tarifas. No entanto, a persistência das investigações e a possibilidade de novas taxações levantam preocupações sobre o futuro das relações comerciais bilaterais e o posicionamento do Brasil no cenário econômico global.