Tarifas nos EUA aceleram diversificação comercial do Brasil
Tarifas dos EUA forçam Brasil a diversificar parceiros comerciais, mas aumentam dependência da China em commodities, gerando preocupações econômicas.

As tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos têm impulsionado o Brasil a diversificar suas parcerias comerciais, acelerando um processo já em curso. Setores como café solúvel, aço, alumínio e cobre, que antes tinham forte dependência do mercado americano, agora expandem suas vendas para outros destinos. Acordos comerciais com a União Europeia, EFTA, Singapura e negociações com Japão e Emirados Árabes Unidos foram intensificados, elevando a cobertura de exportações brasileiras por acordos de 12% para 31%.
Contudo, essa reconfiguração traz preocupações. A queda nas exportações para os EUA foi compensada pelo aumento das vendas para a China e Argentina. Atualmente, a China absorve quase um terço das exportações brasileiras, com uma concentração de quase 90% em quatro produtos: carnes, minério, soja e petróleo.
Especialistas alertam para o risco de uma dependência excessiva da economia chinesa. Um desaceleramento na China poderia impactar severamente o Brasil, dada a concentração da pauta exportadora. A diversificação para outros países asiáticos, como Índia e Vietnã, é vista como um caminho para mitigar essa vulnerabilidade futura.