Tarifas EUA: Falta de objetividade travou acordo com Brasil

Análise aponta que falta de objetividade e propostas inconsistentes de Brasil e EUA travaram negociações sobre tarifas de 25% em produtos brasileiros.

Tarifas EUA: Falta de objetividade travou acordo com Brasil

A iminente aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, prevista para entrar em vigor na próxima quarta-feira (15), tem suas raízes em uma negociação marcada pela falta de objetividade de ambos os governos. Itens como máquinas, plástico e pescados serão os mais afetados pela medida.

O governo brasileiro tem optado por esgotar os canais técnicos e diplomáticos, uma vez que as negociações políticas não apresentaram resultados satisfatórios. A estratégia atual é manter as tratativas em nível ministerial, descartando, por ora, uma intervenção direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com seu homólogo americano, Donald Trump.

## Impasse negociador

Daniel Rittner, diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, avalia que a falta de engajamento e objetividade de ambos os lados contribuiu significativamente para o impasse. Segundo relatos de participantes das negociações, a postura adotada tanto pelo Brasil quanto pelos EUA permitiu que o problema se arrastasse. O analista compara o cenário a um padrão de adiamentos, onde prazos de 30 dias eram sucessivamente renovados sem a apresentação de um acordo concreto, transformando-se em períodos de 30, 90 dias ou até a próxima reunião agendada.

## Propostas inconsistentes

A análise aponta falhas em ambas as partes. Os brasileiros apontam que os Estados Unidos apresentaram propostas sobre minerais críticos sem o devido detalhamento técnico e sem vinculação jurídica. Por outro lado, o Brasil enfrenta dificuldades em propor reduções tarifárias para setores como etanol, máquinas e equipamentos. Isso se deve às restrições impostas pela Tarifa Externa Comum do Mercosul e pelas normas da Organização Mundial do Comércio (OMC), que exigiriam que quaisquer reduções fossem estendidas a todos os países membros.

## Tarifas como ferramenta de poder

Rittner observa que os Estados Unidos passaram a utilizar tarifas não apenas como um mecanismo de eficiência comercial, mas como um "instrumento de poder". Essa mudança de perspectiva abre margem para interpretações políticas nas ações americanas, que podem estar ligadas a interesses de grandes empresas de tecnologia ou outras influências. No entanto, o analista ressalta que a postura brasileira também permite tais questionamentos.

Diante desse quadro, a percepção é que, embora se mantenha um esforço negociador e as aparências de diálogo, a "vontade mesmo, aquela vontade de um acordo, não parece existir" em nenhum dos lados. A situação reflete um complexo cenário de relações comerciais e políticas internacionais, onde a objetividade e a consistência técnica se mostram cruciais para a resolução de disputas tarifárias.