Tarifas dos EUA Impactam Usinas de Açúcar de Alagoas
Novas tarifas de 25% dos EUA impactam usinas de açúcar de Alagoas, reduzindo rentabilidade. São Paulo e Santa Catarina são os estados mais afetados.

A imposição de tarifas de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros afetará de maneira significativa as usinas de açúcar de Alagoas. A análise do especialista Carlos Murillo Barros, chefe de açúcar para as Américas na Hedgepoint Global Markets, indica que, apesar de o governo americano ter estabelecido uma cota anual de 150 toneladas de açúcar isentas de imposto para o Brasil, a nova taxação reduzirá consideravelmente a rentabilidade das exportações nordestinas.
## Impacto nas Exportações
Barros explica que a isenção tarifária já tornava as exportações para os EUA muito vantajosas para as usinas do Nordeste, oferecendo margens superiores às vendas internas ou para outros mercados internacionais sem tarifas preferenciais. Com a nova tarifa de 25%, essa margem será diminuída, embora o mercado americano ainda permaneça mais atrativo do que outras opções. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam um recuo expressivo nas exportações alagoanas para os EUA. Em junho, as vendas geraram apenas US$ 22,2 mil, uma queda de 99,8% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. No primeiro semestre, o valor total foi de US$ 9,7 milhões, 79,8% inferior aos US$ 48,2 milhões registrados no mesmo período do ano passado.
## Abrangência da Tarifa
Um estudo da Agência Brasileira para Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) revelou que São Paulo e Santa Catarina concentram a maior parte do impacto das novas tarifas americanas, somando 52% das vendas afetadas. São Paulo responde por US$ 3 bilhões (41,6%) do total de US$ 7,4 bilhões em exportações sob taxação, representando 20% de suas vendas aos EUA. Santa Catarina, por sua vez, enfrenta uma situação mais crítica, com 68% de suas exportações para os EUA sendo atingidas pela nova política tarifária.