Tarifas dos EUA Freiam Exportações em 20 Estados Brasileiros

Novas tarifas dos EUA, incluindo uma sobretaxa de 25%, impactam 20 estados brasileiros e a indústria nacional. Exportações caem 13% e regiões como Norte e Sul sofrem perdas significativas, evidenciando dependência do mercado americano.

Tarifas dos EUA Freiam Exportações em 20 Estados Brasileiros

A indústria brasileira enfrenta um cenário de crescente dificuldade nas exportações para os Estados Unidos, em virtude de novas tarifas impostas por Donald Trump desde março de 2025. Uma sobretaxa de 25% sobre importações, anunciada em meados de julho de 2026, intensifica um jogo econômico que já vinha impactando negativamente o comércio bilateral. Dados recentes revelam que 20 dos 27 estados brasileiros já sentiram os efeitos dessa escalada tarifária, com uma retração de 13% nas exportações totais para o mercado norte-americano no primeiro semestre de 2026, o que representa uma perda de US$ 2,6 bilhões.

## Impacto Setorial e Regional

A queda nas exportações é liderada por bens industriais, com destaque para produtos semiacabados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira e óleos de petróleo. Apesar dos desafios, os Estados Unidos continuam sendo o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira. Contudo, os números semestrais de 2026 mostram retrações significativas em estados exportadores importantes. São Paulo, principal vendedor para os EUA com 17,1% do total, viu suas vendas caírem 4,3%. Minas Gerais (-18,9%), Espírito Santo (-19,2%), Rio Grande do Sul (-22,6%), Santa Catarina (-32,9%), Paraná (-32,9%) e Bahia (-14%) também registraram quedas expressivas.

A região Norte do Brasil foi particularmente afetada, com seis de seus sete estados apresentando retração nas vendas. Acre (-62,8%), Tocantins (-52,1%), Rondônia (-49,1%) e Amapá (-41,2%) lideram as perdas. O Pará, principal exportador da região, sofreu uma redução de 31,4%, enquanto o Amazonas teve uma queda mais branda de 2,6%.

## Dependência e Alerta da Indústria

Os dados também expõem a elevada dependência de alguns estados em relação ao mercado norte-americano. Em Sergipe, mais de 52% das exportações totais destinam-se aos EUA. No Ceará, o percentual é de 33,4%, e no Espírito Santo, 27,5%. Para essas unidades federativas, a nova tarifa de 25% promete agravar os prejuízos. Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), alertou que a medida corrói ainda mais a competitividade da indústria brasileira, um de seus mercados mais importantes, e clamou por esforços para reverter essa tendência e retomar uma relação comercial mais equilibrada.