Tarifaço dos EUA: Exportações do RS e Brasil sob Risco de US$ 7,4 Bilhões
Governo dos EUA impõe tarifa de 25% sobre exportações brasileiras, afetando cerca de US$ 7,4 bilhões. Brasil reforça programa de crédito e contesta justificativas americanas.

## Impacto nas Exportações Brasileiras
Um novo "tarifaço" anunciado pelo governo dos Estados Unidos, com uma sobretaxa de 25%, promete impactar significativamente as exportações brasileiras, especialmente do agronegócio. Segundo levantamentos, produtos gaúchos que somaram US$ 541 milhões em exportações aos EUA em 2025 estarão sujeitos a essa nova taxação. O governo brasileiro classificou a medida como "injusta e descabida", alegando que os EUA possuem superávit comercial com o Brasil e que argumentos como os supostos prejuízos causados pelo Pix a empresas de cartão de crédito são infundados.
## Resposta do Governo e Estimativas Divergentes
Em resposta, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o programa Brasil Soberano, que oferece linhas de crédito a empresários afetados. O ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, informou que o "tarifaço" atinge cerca de 18% das exportações brasileiras aos EUA, o que representa aproximadamente US$ 7,4 bilhões (R$ 38 bilhões) em dados de 2024. Para 2025, essa participação cairia para 15%, ou US$ 5,8 bilhões. No entanto, outras instituições apresentaram estimativas distintas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 26% da pauta de exportações brasileiras aos EUA estão em risco, enquanto a MB Associados estima em US$ 9,51 bilhões (25,2%) o valor exposto, com foco em setores como máquinas e equipamentos, madeira e móveis, e borracha e pneus.
## Argumentos e Contrapontos
O governo brasileiro também buscou desconstruir as justificativas americanas para a aplicação das tarifas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou as alegações sobre combate à corrupção e ao desmatamento como "falsas e injustas", citando relatórios da OCDE que reconhecem os avanços do Brasil. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, considerou as acusações contra o Pix como o caso mais "flagrante" de desculpas para aplicar tarifas, destacando o crescimento do mercado de cartões de crédito e a cooperação técnica internacional do BC para sistemas de pagamento instantâneo. As autoridades indicaram que o reforço ao Brasil Soberano e a possível aplicação da Lei de Reciprocidade serão avaliados pelo presidente Lula.