Tarifaço dos EUA: Brasil planeja retaliação e apoio a empresas afetadas

Governo brasileiro critica "tarifaço" dos EUA, que afeta exportações, e anuncia apoio a empresas. Medida pode levar a retaliação via Lei da Reciprocidade.

Tarifaço dos EUA: Brasil planeja retaliação e apoio a empresas afetadas

O governo brasileiro reagiu firmemente ao "tarifaço" imposto pelos Estados Unidos, que afeta uma parcela significativa das exportações nacionais. Segundo o G1, a medida atinge 18% das exportações brasileiras para os EUA. Já O Globo informa que a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros afeta 26,2% das exportações, com um impacto de US$ 7,4 bilhões com base em dados de 2024. Considerado um "marco lastimável" nas relações bilaterais pelo presidente Lula, o "tarifaço" é visto como uma retaliação injusta por parte do governo brasileiro.

## Resposta do Governo Brasileiro

Em resposta, o governo brasileiro anunciou que apresentará um programa de apoio às empresas prejudicadas pela nova política tarifária. Além disso, declarou que pode acionar a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional em abril de 2025. Esta lei permite ao Brasil adotar medidas de retaliação contra países que impõem barreiras comerciais. As ações podem incluir a imposição de tarifas adicionais sobre bens e serviços importados do país retaliado, ou até mesmo a revisão de acordos comerciais existentes.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o vice-presidente Geraldo Alckmin também criticaram a decisão americana. Alckmin classificou a medida como "descabida". O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e outros ministros do governo Lula rebateram os argumentos que levaram os EUA a aplicar a tarifa, citando investigações sobre práticas comerciais, incluindo o uso do Pix e o desmatamento.

## Repercussão Política e Impactos Setoriais

A decisão americana gerou manifestações de diversos pré-candidatos à presidência. O senador Flávio Bolsonaro culpou o governo Lula por uma suposta falta de negociação de "boa fé" com os EUA. Ronaldo Caiado criticou a polarização política e o impacto direto sobre produtores brasileiros. Renan Santos mencionou setores como o de etanol e calçadista como particularmente afetados, prevendo dificuldades e demissões. Romeu Zema condenou a decisão americana e criticou a condução da política externa pelo governo atual.

O governo brasileiro também destacou que atuou "ininterruptamente" para apresentar evidências que refutam as alegações de práticas desleais de comércio. A nota oficial do governo, publicada nas redes sociais pelo presidente Lula, também atribuiu a imposição das novas tarifas a um "enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro", chamando-os de "falsos patriotas". O governo reafirmou o compromisso em reduzir os danos à economia e à renda dos brasileiros, e continuará buscando diversificar parcerias comerciais e abrir novos mercados.