Tarifaço dos EUA: Bolsa Brasileira Sente Impacto e Setores Industriais Preocupam

Novas tarifas dos EUA impactam a Bolsa brasileira, com queda no Ibovespa e preocupação para setores industriais como siderurgia. Brasil avalia reciprocidade comercial.

Tarifaço dos EUA: Bolsa Brasileira Sente Impacto e Setores Industriais Preocupam

O Ibovespa registrou uma queda de 1,24% na última quinta-feira (16) após a imposição de novas tarifas pelo governo dos Estados Unidos. A decisão, já esperada, acendeu o alerta para uma possível guerra comercial, especialmente com a sinalização do governo brasileiro sobre a aplicação da Lei de Reciprocidade. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo "saberá como implementar a lei da reciprocidade" em momento oportuno, com apoio da Apex e do BNDES para a busca de novos mercados.

## Impacto nos Setores e Empresas

A tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com validade a partir de 22 de julho, excluiu itens da aviação civil, preservando as exportações da Embraer. Contudo, motores, geradores e equipamentos elétricos foram incluídos na taxação. Analistas apontam que setores como siderurgia, metalurgia, máquinas e bens industriais serão os mais afetados, especialmente empresas exportadoras com forte dependência do mercado americano. A XP avalia o anúncio como neutro para Embraer, Tupy e Frasle, mas marginalmente negativo para a WEG, embora a situação já estivesse precificada pelo mercado.

Um risco adicional considerado é a possível aplicação da Seção 301, relacionada a trabalho forçado, que poderia elevar a tarifa efetiva para 37,5%. Esse é o principal ponto de atenção nas negociações comerciais entre Brasil e EUA. Para a WEG, o Goldman Sachs estima que cerca de um terço de sua receita na América do Norte, que representa aproximadamente 29% da receita líquida da companhia, pode ser impactada pelas tarifas, apesar de a empresa ter deslocado parte de sua produção para o México.

## Perspectivas e Setores Resilientes

Empresas exportadoras de commodities com alta exposição aos EUA já precificam a perda de competitividade. Já os papéis ligados ao petróleo reagem mais às oscilações internacionais do barril e tensões geopolíticas. Em contrapartida, bancos, utilities e empresas focadas no mercado doméstico tendem a apresentar desempenho mais estável devido à menor sensibilidade ao comércio exterior. Empresas como Grendene, WEG, Tupy, Schulz e Metal Leve já vinham buscando minimizar impactos de tarifas anteriores, desenvolvendo novos mercados.